Um júri popular em Belo Horizonte absolveu, na última terça-feira (24), Erica Pereira da Silveira Vicente, de 44 anos, acusada de cortar o pênis e matar Everton Amaro da Silva, de 47 anos. O crime ocorreu em março de 2025, no bairro Taquaril, região leste da capital mineira.
Descoberta do Abuso e Reação
Segundo a defesa de Erica, ela descobriu semanas antes do crime que Everton enviava mensagens de cunho sexual para sua filha, então com 11 anos. Na noite do ocorrido, a mãe relatou ter sido acordada pelos gritos da criança e encontrado o homem sobre a menina, com a calça abaixada.
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Em depoimento, Erica contou que conseguiu arrastar Everton para a sala e, em um ato de desespero, o atacou com uma faca. A ação teria sido facilitada pelo fato de o agressor estar com a calça abaixada no momento da descoberta.
O Julgamento e a Decisão do Júri
O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) havia denunciado Erica pelos crimes de homicídio qualificado, por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ela também foi acusada de destruição de cadáver e corrupção de menor, devido ao auxílio de um adolescente para ocultar o corpo.
A defesa sustentou que Everton já estava embriagado ao chegar na residência e que a ação de Erica foi uma reação imediata à tentativa de abuso contra a filha. O júri, composto por quatro homens e três mulheres, decidiu pela absolvição de Erica com quatro votos favoráveis, interrompendo o julgamento assim que a maioria foi atingida.
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Repercussão e Defesa
Em nota, as advogadas de Erica Silveira, Camila Mendes e Elida Fabricia, agradeceram o apoio recebido e ressaltaram a importância da proteção de crianças e adolescentes. Elas destacaram que a situação foi extrema e marcada por violência, com uma reação que reflete o desespero e a necessidade de proteção imediata da vítima.
A defesa enfatizou que, embora nenhuma forma de violência deva ser naturalizada, análises de situações-limite devem ser feitas de forma responsável, contextualizada e humanizada. A proteção de crianças e adolescentes foi apontada como um dever de todos.
Próximos Passos Legais
A decisão do júri é de primeira instância e, portanto, ainda cabe recurso. Questionado pelo Estadão, o MP-MG não informou se pretende recorrer da sentença. O caso gerou grande repercussão na capital mineira, levantando debates sobre legítima defesa e a proteção de menores em situações de vulnerabilidade.
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Fonte: Estadão