Governo Trump indicia Raúl Castro por derrubada de aviões cubanos há 30 anos

Governo Trump indicia Raúl Castro por derrubada de aviões cubanos há 30 anos

O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, apresentou acusações criminais contra Raúl Castro, ex-líder cubano de 94 anos, pela derrubada de duas aeronaves civis no Estreito da Flórida em 24 de fevereiro de 1996. A ação, que ainda depende da aprovação de um júri, representa uma significativa escalada na pressão de […]

Resumo

O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, apresentou acusações criminais contra Raúl Castro, ex-líder cubano de 94 anos, pela derrubada de duas aeronaves civis no Estreito da Flórida em 24 de fevereiro de 1996.

A ação, que ainda depende da aprovação de um júri, representa uma significativa escalada na pressão de Washington sobre a liderança cubana, seguindo um padrão recente de medidas coercitivas contra regimes considerados hostis, como a extradição do ex-líder venezuelano Nicolás Maduro.

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O incidente de 1996, que resultou na morte instantânea de todos os ocupantes das aeronaves, desencadeou uma das mais severas crises diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos, com repercussões que se estendem por décadas.

As aeronaves abatidas pertenciam à organização “Irmãos ao Resgate”, composta por exilados cubanos em Miami, e o ataque pelos caças cubanos gerou condenação internacional, endurecimento das sanções americanas contra o regime de Fidel Castro e sepultou qualquer perspectiva imediata de reaproximação com o governo do então presidente Bill Clinton.

O Contexto do “Período Especial” e a Irmãos ao Resgate

A derrubada das aeronaves ocorreu em um período de profunda crise econômica em Cuba, conhecido como “Período Especial”, iniciado na década de 1990 após o colapso da União Soviética.

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A dissolução do bloco socialista mergulhou a ilha em dificuldades severas, com escassez de alimentos, combustível e apagões frequentes, levando milhares de cubanos a tentar deixar o país em embarcações precárias.

Foi nesse cenário que surgiu em Miami a “Irmãos ao Resgate”, fundada por exilados cubanos liderados por José Basulto. O grupo realizava voos sobre o Estreito da Flórida com o objetivo de localizar e informar a Guarda Costeira dos EUA sobre barcos de migrantes cubanos para resgate, além de lançar água e alimentos.

Com o tempo, as atividades da organização evoluíram e passaram a incluir sobrevoos em espaço aéreo cubano e o lançamento de panfletos sobre Havana, o que Cuba considerou uma violação de sua soberania e uma ameaça à segurança nacional.

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A organização, por sua vez, afirmava que os panfletos continham a Declaração Universal dos Direitos Humanos, material proibido em Cuba, e que suas ações eram humanitárias.

O Ataque e o Papel de Raúl Castro

Em 24 de fevereiro de 1996, três aeronaves Cessna C-337 da “Irmãos ao Resgate” decolaram da Flórida. Duas delas foram alvejadas e derrubadas por caças MiG-29 cubanos, resultando na morte de seus quatro ocupantes.

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José Basulto, pilotando a terceira aeronave, conseguiu escapar. Ele relatou que os aviões estavam em águas internacionais quando foram atacados, uma versão corroborada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), que acusaram Cuba de violar o direito internacional.

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Cuba sempre sustentou que o incidente ocorreu dentro de seu espaço aéreo. O historiador Juan Antonio Blanco descreveu o episódio como uma “emboscada orquestrada por Fidel Castro”, com informações detalhadas sobre os voos fornecidas por um agente infiltrado no grupo “Irmãos ao Resgate”.

Blanco aponta Fidel Castro como o responsável político e Raúl Castro, então ministro das Forças Armadas, como o executor da operação. Uma gravação vazada em 2006, supostamente de uma reunião com Raúl Castro detalhando a operação, é considerada uma prova potencial contra ele.

Motivações e Consequências do Abate

As motivações por trás do ataque permanecem em debate. A versão oficial de Cuba alega legítima defesa contra incursões aéreas que representavam risco à segurança nacional.

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No entanto, especialistas como Juan Antonio Blanco sugerem motivações políticas. Segundo ele, Fidel Castro teria buscado sabotar uma possível reaproximação com os Estados Unidos, temendo que isso pudesse levar a reformas que ameaçassem seu poder absoluto.

O ataque resultou na maior crise entre Cuba e os EUA desde a Guerra Fria. O presidente Bill Clinton condenou o ato e os Estados Unidos responderam com o endurecimento do embargo econômico através da Lei Helms-Burton, que permitiu ações legais contra empresas estrangeiras que negociassem com propriedades cubanas confiscadas.

Havana considerou a lei uma agressão econômica e diplomática. A possibilidade de uma resposta militar dos EUA foi considerada, mas Clinton optou por intensificar o cerco econômico.

O episódio eliminou as perspectivas de normalização das relações por anos e, segundo Blanco, intensificou a repressão interna em Cuba contra setores reformistas e de oposição.

As famílias das vítimas foram indenizadas pelos Estados Unidos em US$ 93 milhões, provenientes de ativos cubanos congelados.

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Fonte: BBC News Mundo

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