A ex-assessora parlamentar Gardênia Morais, que trabalhou para o deputado federal Mário Frias (PL-SP), declarou ter devolvido cerca de 76% dos valores recebidos durante seu período no gabinete da Câmara dos Deputados. Segundo ela, os repasses totalizaram R$ 180,1 mil e foram destinados ao pagamento de despesas de familiares do parlamentar, além de transferências ao então chefe de gabinete e outros parentes de Frias.
As informações, reveladas inicialmente pelo portal g1 e confirmadas por O Globo, indicam que os valores incluíram cinco empréstimos consignados, diversas transferências via Pix e a quitação de boletos. Mário Frias foi procurado pela reportagem, mas não comentou as alegações.
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Detalhes dos Repasses
Gardênia Morais detalhou que os empréstimos consignados somaram R$ 174.886. Ela alega que apenas um deles, no valor de R$ 35 mil, foi utilizado para suas despesas pessoais. O montante restante, R$ 139.886, teria sido direcionado, a pedido do deputado e do ex-chefe de gabinete, para cobrir dívidas relacionadas à campanha eleitoral de Mário Frias em 2022.
Além dos empréstimos, foram identificadas transferências via Pix no valor de R$ 40,9 mil para a mãe de Mário Frias, o então chefe de gabinete, a ex-mulher do deputado e uma parente do ex-assessor. Uma fatura de cartão de crédito da esposa de Frias, no valor de R$ 4.832, também teria sido paga com recursos da conta da ex-assessora.
Salário e Aumentos
Entre fevereiro de 2023 e junho de 2024, período em que Gardênia Morais atuou no gabinete, ela recebeu R$ 236.686,83 em salários, auxílios e indenizações, segundo levantamento com base em dados da Câmara. Os R$ 180,1 mil repassados correspondem a 76% desse montante líquido.
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A ex-assessora afirmou que o deputado Mário Frias estava ciente de todas as devoluções, descrevendo a prática como um “combinado inicial”. Ela relatou que as tratativas do dia a dia eram conduzidas pelo ex-chefe de gabinete, a quem se referiu como o “braço direito do deputado”.
Registros indicam que Gardênia Morais obteve aumentos salariais durante sua passagem pelo gabinete. Nomeada secretária parlamentar em fevereiro de 2023, com remuneração inicial de R$ 10,3 mil, ela recebeu pelo menos cinco reajustes ao longo de 15 meses, alcançando uma remuneração total de R$ 26,6 mil em abril de 2024, considerando salário líquido, auxílios e verbas indenizatórias.
Ação do PSOL
Diante das suspeitas de “rachadinha” – prática em que assessores devolvem parte de seus salários a parlamentares –, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) acionou o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados para que o caso seja apurado. O conselho é o órgão responsável por investigar e propor punições para condutas inadequadas de deputados federais.
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Fonte: g1