O embaixador aposentado Rubens Barbosa recomendou cautela ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na resposta aos Estados Unidos após o cancelamento do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti em Washington.
A medida, sem precedentes na diplomacia bilateral, é vista por Barbosa como um reflexo direto das crescentes tensões entre o governo americano e o brasileiro, envolvendo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o chanceler Mauro Vieira e o próprio presidente Lula.
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“Eu acho que o governo brasileiro tem que tomar cuidado na resposta para não agravar ainda mais o clima político e diplomático entre os dois países”, declarou Barbosa ao Poder360. Ele ressaltou a delicadeza da situação, especialmente em meio à campanha eleitoral brasileira e à narrativa de soberania que tem sido explorada.
Crise diplomática se intensifica
Barbosa, que foi embaixador em Washington entre 1999 e 2004, classificou a retaliação americana como resultado de uma escalada de atritos que se arrasta há mais de um mês.
O Departamento de Estado dos EUA justificou a decisão como uma resposta ao atraso do governo brasileiro em aprovar o nome de Daniel Perez como embaixador americano no Brasil. O governo Lula, por sua vez, optou por postergar a concessão do agrêment, com a intenção de fazê-lo apenas após o segundo turno das eleições presidenciais.
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Essa estratégia contrariou as expectativas americanas, que esperavam a chegada de Perez à missão diplomática antes do primeiro turno eleitoral.
Planalto critica retaliação e aponta “razões ideológicas”
O Palácio do Planalto reagiu duramente à decisão americana, classificando as justificativas apresentadas como “falsas” e a medida como parte de uma “escalada de ações hostis motivadas por razões ideológicas”.
Em nota oficial, o governo brasileiro enfatizou que o processo de concessão de agrêment é confidencial e que o nome do candidato só deveria se tornar público após a anuência, conforme a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.
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O Planalto acusou os EUA de anunciarem publicamente o nome de seu candidato antes mesmo da apresentação formal do pedido, violando o protocolo diplomático.
A nota também mencionou diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao lembrar que sanções individuais impostas pelos EUA sobre autoridades brasileiras, incluindo o cancelamento de vistos, ainda estão em vigor.
O governo Lula destacou que as negativas de visto a dois funcionários americanos se deram pela intenção deles de questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro, o que foi considerado uma interferência inaceitável no processo político nacional.
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O governo brasileiro reiterou que o pedido de agrêment para Daniel Perez ainda está em análise e que não há prazo estipulado na Convenção de Viena para sua concessão.
A nota também lembrou que o presidente Lula, em visita a Washington em maio, solicitou ao presidente Donald Trump o levantamento das sanções individuais.
“A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo”, concluiu o Planalto, reafirmando o compromisso com o diálogo e a negociação em suas relações internacionais.
Fonte: Poder360