A Mosaic, uma das maiores produtoras de fertilizantes do mundo, anunciou nesta quarta-feira (data específica se disponível) uma drástica reestruturação de suas operações em Minas Gerais. A empresa decidiu paralisar definitivamente suas minas de rocha fosfática nas cidades de Araxá e Patrocínio, ambas localizadas no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. O complexo mineroquímico de Araxá, responsável pela produção de superfosfato simples, também terá suas atividades hibernadas e os ativos colocados à venda.
Impacto da Alta do Enxofre e Cenário Global
A decisão da Mosaic tem como principal motivador a disparada nos preços do enxofre, insumo essencial na fabricação de fertilizantes fosfatados. A matéria-prima, que já vinha sofrendo com a alta demanda chinesa e interrupções na produção russa devido à guerra na Ucrânia, teve seu custo agravado pelos recentes conflitos no Oriente Médio, especialmente no Irã. Restrições de transporte e ataques a refinarias na região ameaçam o fornecimento global de enxofre, elevando os custos de produção da Mosaic.
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Araxá: Um Marco para a Companhia em Minas
A unidade de Araxá é uma das operações mais relevantes da Mosaic no Brasil, com capacidade de produzir 1,1 milhão de toneladas de fosfatados anualmente, o que representa cerca de 27% da capacidade total da empresa no país. A venda deste complexo, que também abrange a produção de fertilizantes, busca reduzir custos operacionais e concentrar esforços em unidades mais rentáveis. O CEO da Mosaic, Bruce Bodine, afirmou que a hibernação e a busca por um comprador são as estratégias mais adequadas para o momento.
Desmobilização e Reflexos Financeiros
A paralisação das operações de fosfato em Minas Gerais resultará em uma redução de aproximadamente 1 milhão de toneladas na produção anual da Mosaic no Brasil, que no ano passado totalizou 3,1 milhões de toneladas. A venda do negócio em Araxá deve gerar uma baixa contábil significativa de cerca de US$ 300 milhões, que deverá ser refletida no balanço financeiro do primeiro trimestre. Apesar do impacto no volume, a empresa estima que a redução do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) será limitada, uma vez que os altos preços do enxofre podem compensar a menor produção.
Foco no Nióbio e Reação do Mercado
Apesar da desmobilização das operações de fosfato, a Mosaic reafirmou seu compromisso com o desenvolvimento do seu negócio de nióbio em Patrocínio. Estudos técnicos para a expansão dessa atividade estão em fase final. No mercado financeiro, a notícia foi recebida com cautela pelos investidores. As ações da Mosaic registraram queda superior a 4% antes da abertura do pregão na Bolsa de Nova York, onde a empresa está avaliada em US$ 8,4 bilhões.
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Fonte: G1