Aos 80 anos e de volta à cena política para disputar uma vaga no Legislativo, o ex-ministro José Dirceu (PT) defende a necessidade de reformas no Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista, Dirceu afirmou que a Corte precisa de uma “autorreflexão” diante de pesquisas que apontam que 70% da população deseja mudanças.
Ele argumenta que ignorar a opinião pública é um erro e que o STF “não precisa ter medo de debater com o país”. Caso o Judiciário não promova essa discussão internamente, Dirceu alerta que uma maioria no Parlamento pode se formar para impor reformas, o que, segundo ele, “será pior”.
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Dirceu também comentou o cenário eleitoral, mostrando otimismo com a possibilidade de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar do crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas.
“O PT tem o que apresentar. Deu estabilidade institucional ao país. Deu inflação baixa, crescimento, manteve o Brasil fora de conflitos internacionais, conduziu bem as relações com os Estados Unidos”, declarou o ex-ministro, listando feitos de governos petistas.
Em caso de uma eventual derrota de Lula, Dirceu avalia que o ex-presidente “vai liderar o país” na oposição, pois considera que Flávio Bolsonaro, mesmo eleito, não estaria “à altura” do desafio de governar o Brasil em meio às crises globais.
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O ex-ministro também abordou a delação do banqueiro Daniel Vorcaro, sugerindo que, se for bem-sucedida, pode impulsionar reformas consideradas “inadiáveis” no país, configurando um “freio de arrumação geral”.
Dirceu criticou a polarização em torno de escândalos de corrupção, argumentando que o Brasil precisa focar em problemas mais graves como a reestruturação da Petrobras, segurança pública, educação, ciência e tecnologia, além de acompanhar a revolução tecnológica global.
“Ou debatemos os problemas do país, e cada candidato apresenta a sua proposta, ou vamos iludir o Brasil de que o nosso principal problema é a corrupção”, pontuou.
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Sobre a possibilidade de Fernando Haddad substituir Lula como candidato, Dirceu foi enfático: “Zero”. Ele afirmou que Haddad está focado em sua campanha para o governo de São Paulo e que o PT tem capacidade de resistir e reconquistar o poder mesmo diante de derrotas, citando a resiliência do partido após o impeachment de Dilma Rousseff e a prisão de Lula.
O ex-ministro defendeu a necessidade de reformas em todos os Poderes, incluindo o Legislativo e o Executivo, para evitar a desmoralização da democracia e a justificativa para regimes autoritários.
Dirceu também comentou a atuação do STF, ressaltando que, embora a Corte deva defender o Estado Democrático de Direito, a cobrança por transparência e debate com a sociedade é legítima. Ele comparou a situação com a de um “rei nu”, onde a insatisfação popular com a falta de reformas não pode ser ignorada.
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“A extrema direita vai propor ao eleitorado medidas contra o Supremo, e nós vamos defender o Supremo sem propor mudança alguma? Vamos perder. É isso o que eles querem?”, questionou, defendendo que a discussão sobre reformas no STF é necessária para não ceder espaço à direita.
Em relação à delação de Daniel Vorcaro, Dirceu levantou dúvidas sobre o instituto e as condições em que a colaboração foi feita, mas reconheceu que o caso pode reforçar a necessidade de reformas estruturais no Brasil.
Ele defendeu um “pacto entre empresariado, trabalhadores e todas as forças políticas” para traçar um plano de desenvolvimento para os próximos dez anos, diante das transformações tecnológicas e instabilidades globais, mencionando a necessidade de “refundar o Estado brasileiro” em algum momento.
Fonte: Folha de S.Paulo