O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) lançou fortes críticas à primeira-dama Janja Lula da Silva, acusando-a de praticar um “silêncio seletivo” na defesa dos direitos das mulheres. A declaração foi feita em um vídeo divulgado nas redes sociais neste domingo (29).
Ferreira direcionou suas críticas ao caso do ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, que deixou o cargo em setembro de 2024 sob suspeita de importunação sexual contra diversas mulheres, incluindo a ministra Anielle Franco. O ex-ministro é alvo de um inquérito sigiloso no Supremo Tribunal Federal (STF).
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“E um cara vai cometer um crime no futuro, não dá pra poder prever. Mas sabe o que dá pra fazer após isso? Se manifestar, se posicionar. Foi exatamente isso que você fez, só que o contrário. Você simplesmente se solidarizou com a ministra, mas ficou em silêncio, com a atitude do Silvio Almeida”, afirmou o deputado.
Ele questionou se Janja manteria a mesma postura caso o acusado fosse um aliado de Jair Bolsonaro. “Se ele fosse ministro do Bolsonaro, você ficaria em silêncio? Isso não é defender as mulheres. Isso é defender as mulheres que te convêm. E se silenciar quando não te convém. O silêncio seletivo”, concluiu.
Demissões ministeriais em foco
Nikolas Ferreira também citou a demissão de três mulheres do atual governo federal. Segundo o deputado, as substituições teriam ocorrido para acomodar homens ligados ao Centrão.
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“Uma, inclusive, acusou de ataques de misoginia. Foi mais uma que deu espaço para um homem do Centrão. A outra foi demitida e depois chegou e falou que não foi por incompetência que ela foi demitida”, disse.
As declarações remetem às ex-ministras da Saúde, Nísia Trindade, e das Mulheres, Cida Gonçalves. Nísia Trindade relatou em março de 2025 ter sido alvo de uma “campanha sistemática e misógina de desvalorização” durante a posse de Alexandre Padilha e Gleisi Hoffmann. Cida Gonçalves, substituída em maio de 2025 por Márcia Lopes, negou que sua saída tenha sido motivada por incompetência, assédio ou desavenças.
Resposta a apelo de Janja
A publicação de Nikolas Ferreira foi uma resposta direta a um vídeo de Janja, divulgado na última sexta-feira (27). Na ocasião, a primeira-dama apelou à Câmara dos Deputados pela rápida aprovação de um projeto que criminaliza o discurso de ódio contra mulheres.
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“Nós, mulheres, precisamos que esse projeto seja rapidamente aprovado na Câmara e sancionado pelo presidente da República. Ele é um instrumento importante de proteção à vida das mulheres”, declarou Janja.
O projeto, relatado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), define misoginia como a manifestação de ódio ou aversão a mulheres. A proposta equipara crimes motivados por misoginia aos crimes de racismo, prevendo penas mais rigorosas, além de serem inafiançáveis e imprescritíveis.
Janja também rebateu críticas ao projeto, que ela atribuiu a “um certo grupo de homens ou talvez um específico”, acusando-os de disseminar fake news para fraudar o projeto de lei.
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“Eu quero dizer que enquanto você, deputado, se preocupava em produzir um vídeo cheio de mentiras e protegendo aqueles homens que vão para a internet disseminar discurso de ódio, uma mulher era assassinada”, rebateu Janja, em referência a Nikolas Ferreira. “Nós mulheres não vamos desistir. Nem eu, deputado, não se preocupe. Eu vou estar sempre ao lado das mulheres nessa luta contra esse discurso de ódio. Eu não vou desistir”, afirmou.
O Projeto de Lei contra Misoginia
A misoginia, conforme o dicionário Aurélio, é o desprezo, aversão ou repulsa mórbida à mulher ou ao contato sexual com elas.
O texto legislativo, já aprovado pelo Senado em 24 de março, aguarda votação na Câmara. Caso seja aprovado e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), injuriar alguém ofendendo a dignidade ou o decoro em razão de misoginia poderá acarretar pena de 2 a 5 anos, além de multa.
A prática, indução ou incitação à discriminação ou preconceito contra mulheres também passará a ser crime tipificado, com pena de 1 a 3 anos. As penas serão dobradas para crimes cometidos contra mulheres no contexto de violência doméstica e familiar.
O projeto estabelece que o juiz deverá considerar como discriminatória qualquer atitude ou tratamento que cause constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida a pessoas ou grupos minoritários, caso similar não fosse dispensado a outros grupos em razão de cor, etnia, religião, procedência nacional ou condição de mulher.
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