O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, está sob investigação pelas autoridades dos Estados Unidos devido a supostas ligações com o narcotráfico. A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times, que aponta a existência de duas linhas de investigação abertas pela Justiça em Manhattan e no Brooklyn, com o apoio da Agência Antidrogas (DEA) e do Departamento de Segurança Interna (DHS).
Petro reagiu prontamente às alegações, negando categoricamente qualquer envolvimento com atividades criminosas. Através de sua conta na rede social X (antigo Twitter), o presidente afirmou: “Nunca na minha vida falei com um narcotraficante”. Ele também ressaltou que “na Colômbia não existe uma única investigação sobre qualquer relação minha com narcotraficantes”.
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As investigações, segundo o jornal, teriam origem em informações provenientes do governo do ex-presidente Donald Trump. Uma fonte com conhecimento sobre o caso informou à agência AFP que Petro já teria sido alvo de outras investigações sobre narcotráfico no passado, embora não tenha especificado o período. No entanto, a mesma fonte indicou que “não estão previstas acusações de forma iminente”.
Debate público e implicações familiares
A suposta relação de Petro com o narcotráfico já foi um tema de debate público na Colômbia. Seu filho mais velho, Nicolás Petro, que já foi alvo de sanções por parte de Washington, admitiu ter recebido quantias significativas de dinheiro de um indivíduo condenado por narcotráfico nos Estados Unidos. Contudo, ele assegurou que os recursos não foram utilizados na campanha eleitoral de seu pai.
O próprio presidente colombiano declarou que tem sido vítima de conspirações orquestradas por narcotraficantes com o objetivo de prejudicar sua carreira política e até mesmo de assassiná-lo. Paralelamente, Petro tem buscado, sem sucesso, negociar a paz com grupos guerrilheiros e outras organizações que são acusadas por Washington de envolvimento com o tráfico de drogas.
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Relações tensas com os EUA
As relações entre Estados Unidos e Colômbia tornaram-se voláteis, especialmente após o retorno de Donald Trump à Casa Branca. O governo republicano demonstrou discordância com a agenda de esquerda de Petro, que assumiu a presidência em 2022 e tem buscado fortalecer alianças na América Latina contra a influência de Washington.
A tensão diplomática se acentuou com a ofensiva americana lançada em setembro contra embarcações supostamente carregadas com drogas, inicialmente no Caribe e depois também no Pacífico. Em meio a trocas de declarações entre os presidentes, Washington revogou o visto de Petro e impôs sanções econômicas contra ele e membros de sua família.
O governo americano também chegou a ameaçar realizar ações militares na Colômbia, após a captura do presidente da Venezuela em janeiro. Apesar das divergências, Trump e Petro mantiveram uma reunião considerada amistosa em Washington no mês passado, abrindo um canal de diálogo inesperado.
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Fonte: AFP