Dario Durigan, atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda, assumirá a titularidade da pasta até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A transição ocorre após Fernando Haddad anunciar sua saída para concorrer ao governo de São Paulo.
O próprio presidente Lula confirmou a nomeação de Durigan em um evento em São Paulo, pedindo que o novo ministro se apresentasse à população.
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“Queria cumprimentar o companheiro Dario Durigan. Dario, levanta aí, levanta para as pessoas conhecerem o Dario. [Ele] será o substituto do Haddad no Ministério da Fazenda a partir do anúncio do Haddad. Olha bem para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas”, declarou Lula.
Trajetória e Experiência de Durigan
Desde 2023 no Ministério da Fazenda, Durigan foi peça-chave na articulação das chamadas “medidas de recomposição de receitas”, que envolveram aumentos de tributos. Ele também atuou na regulamentação da reforma tributária sobre o consumo e na renegociação da dívida dos estados.
Antes de integrar a equipe econômica, Durigan teve passagens pela Advocacia-Geral da União (AGU) entre 2017 e 2019. Posteriormente, atuou no setor privado como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp, entre 2020 e 2023, coordenando temas de políticas públicas e comunicação.
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Sua experiência inclui também um período na prefeitura de São Paulo, entre 2015 e 2016, onde integrou a equipe de Fernando Haddad.
Advogado formado pela USP, Durigan é conhecido por seu perfil discreto e bom trânsito político, sendo considerado um articulador eficaz junto aos setores produtivos.
Desafios Imediatos na Pasta
À frente da Fazenda, Durigan terá que gerenciar as ações econômicas do governo em meio à campanha de reeleição de Lula, um período historicamente marcado por embates políticos e desinformação.
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Questões como a revisão de benefícios sociais, a reforma de encargos sobre a folha de pagamentos e o fim da jornada 6 por 1 para trabalhadores estão na pauta.
Regulamentação da Reforma Tributária e Cenário Fiscal
A regulamentação e transição da reforma tributária, com a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) prevista para 2027, será uma tarefa central. O chamado “imposto do pecado”, que incidirá sobre produtos com externalidades negativas como bebidas e cigarros, promete gerar debates acalorados, especialmente em ano eleitoral, devido à expectativa de aumento de preços.
Durigan também terá a responsabilidade de conduzir o processo orçamentário até 2026, com a meta de retomar o superávit fiscal, respeitando os limites do arcabouço fiscal. Para 2026, a meta de superávit primário é de 0,25% do PIB, embora o governo possa apresentar um déficit de R$ 23,3 bilhões após ajustes e pagamento de precatórios, segundo projeções.
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As restrições impostas pelo arcabouço fiscal, que limita o crescimento real das despesas a 2,5% ao ano, devem apertar o espaço para gastos livres dos ministérios, possivelmente levando a bloqueios de despesas. O crescimento dos gastos obrigatórios, como benefícios previdenciários e salários de servidores, pressiona o orçamento.
Impacto da Geopolítica na Economia
Um dos principais desafios externos será o cenário internacional, agravado pela guerra no Oriente Médio e seu impacto no preço do petróleo. A alta do barril pode gerar mais inflação, impactar a queda da taxa de juros e afetar a geração de empregos. O Ministério da Fazenda já sinalizou medidas para mitigar esses efeitos, como reduções de impostos e subsídios para o diesel.
Fonte: G1