A Câmara Municipal de Belo Horizonte tem sido palco de crescente mobilização política nas suas galerias. Grupos de jovens influenciadores digitais, com forte apelo em pautas conservadoras e de direita, têm comparecido em peso às sessões, especialmente durante votações de projetos considerados sensíveis.
Presença digital e intervenção política
Projetos como o que permite a internação involuntária de dependentes químicos e a lei que restringe manifestações consideradas ofensivas, apelidada de “anti-Oruam”, têm atraído a atenção desses grupos. Convocados por meio de suas redes sociais, os influenciadores e seus seguidores marcam presença, visando pressionar os vereadores e influenciar o clima das discussões em plenário.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Entre os nomes que articulam essa mobilização está João Fernandes, suplente do Novo e assessor do vereador Vile Santos (PL). Com mais de meio milhão de seguidores no Instagram, Fernandes tem utilizado sua plataforma para defender pautas conservadoras e criticar o Supremo Tribunal Federal (STF), além de convocar seus seguidores para apoiar projetos específicos na Câmara.
“Nós convocamos a militância nas minhas redes sociais para virem apoiar o projeto. Essa é a nossa estratégia, fazer boas políticas públicas para melhorar a vida de quem mora em BH”, declarou João Fernandes em entrevista, negando responsabilidade por tumultos.
Aumento de conflitos e relatos de agressões
A presença organizada nas galerias tem gerado relatos de aumento de confusões, interrupções e discussões acaloradas. Vereadores e funcionários da Casa apontam que, em sessões recentes, houve troca de empurrões e a necessidade de intervenção da segurança para conter manifestantes. Servidores de gabinetes de parlamentares da bancada de esquerda relatam ter sido alvo de provocações e até agressões físicas ao tentarem mediar conflitos.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Um dos episódios de tensão ocorreu durante a votação do projeto de lei sobre a internação involuntária de dependentes químicos. O influenciador Alê Fiscaliza, ligado à juventude do Novo e com cerca de 28 mil seguidores, esteve envolvido em um desses confrontos. Ele relatou ter entrevistado pessoas na galeria, e a contradição em suas falas teria gerado a confusão.
Alê Fiscaliza também comentou o incidente: “Teve um projeto muito importante sobre a internação compulsória dos moradores de rua. Eu comecei a entrevistar pessoas dentro da galeria. Quando elas começaram a se contradizer com quem as levou, acabou dando essa confusão”. Relatos indicam que ele chegou a ser agredido no meio da discussão.
Polarização e repercussão nas redes
O clima de polarização em torno de temas como segurança urbana e assistência social tem se refletido nas sessões da Câmara. Vídeos dos confrontos e das discussões em plenário circulam nas redes sociais, acumulando milhares de visualizações e comentários que variam entre apoio às ações dos influenciadores e críticas à interferência nas atividades legislativas.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
O presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Juliano Lopes (Podemos), informou que a segurança do prédio foi orientada a agir em caso de novos episódios de desordem, buscando manter a ordem e o decoro durante as sessões.
A atuação desses influenciadores levanta debates sobre o papel das redes sociais na política local e os limites da participação popular nas instâncias legislativas, especialmente em uma cidade como Belo Horizonte, que acompanha de perto as discussões de seus representantes.
Fonte: Estado de Minas
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO