Mensagens trocadas pelo empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, indicam uma relação próxima com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), uma figura central no centrão. Os diálogos, que fazem parte da investigação da CPMI do INSS, foram obtidos pelo jornalista e estão sob análise.
Em maio de 2024, Vorcaro apresentou Nogueira à sua namorada, a blogueira Martha Graeff, como “um dos meus grandes amigos de vida”. A declaração sugere um grau de intimidade que o senador, por meio de sua assessoria, nega.
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Meses depois, em agosto, Vorcaro voltou a mencionar o senador em conversa com Martha. Ele descreveu um projeto de lei apresentado por Ciro Nogueira como uma “bomba atômica no mercado financeiro”, afirmando que a proposta beneficiaria bancos médios em detrimento das grandes instituições.
“Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro. Está todo mundo louco”, escreveu o empresário, demonstrando entusiasmo com a iniciativa.
A proposta em questão foi uma emenda apresentada por Ciro Nogueira que visava ampliar o valor da garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A emenda foi incluída em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tratava da autonomia do Banco Central.
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A emenda, que passou a ser apelidada de “emenda Master” por supostamente favorecer o Banco Master, foi criada e modificada em um curto intervalo de tempo. A mensagem de Vorcaro para sua namorada foi enviada pouco mais de uma hora após a última alteração na emenda.
O Banco Master, na época, utilizava em suas campanhas de marketing a proteção do FGC para atrair investidores, oferecendo em seus Certificados de Depósito Bancário (CDBs) rendimentos de até 140% do CDI. Contudo, a proposta acabou sendo engavetada devido à resistência de entidades do setor bancário.
As investigações também revelaram uma conversa entre Vorcaro e o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP), onde o parlamentar propõe uma videoconferência envolvendo ele, Vorcaro e Ciro Nogueira. “Oi, amigo, precisamos fazer a videoconferência eu, você e Ciro”, escreveu Pinato. Vorcaro respondeu positivamente: “Opa. Vamos. Só me chamar.”
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O senador Ciro Nogueira, por meio de sua assessoria, declarou que troca mensagens com centenas de pessoas e que esse tipo de interação não implica proximidade pessoal. Ele também ressaltou estar tranquilo quanto às investigações da Polícia Federal, afirmando não ter tido qualquer conduta inadequada relacionada ao caso.
Uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo também trouxe à tona que a Polícia Federal identificou no celular de Daniel Vorcaro conversas com o senador Ciro Nogueira. Além disso, foram encontrados registros em que o empresário determinava pagamentos a uma pessoa identificada apenas como “Ciro”, sem o sobrenome.
Em nota enviada ao Estadão, o senador Ciro Nogueira negou ter recebido qualquer quantia e classificou como “irresponsável, inconsequente e até leviano” a associação de seu nome ao recebimento de pagamentos por uma citação de primeiro nome em diálogos. Ele lembrou que existem milhares de pessoas com o nome Ciro no Brasil e que um deles atua na defesa de Vorcaro.
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“Inferir que se refere a mim, senador Ciro Nogueira, é definitivamente uma mentira fabricada na tentativa de manchar minha biografia”, declarou o senador, reafirmando que, embora conheça Daniel Vorcaro, ele não pertence ao seu círculo de amizades próximas e que não tem envolvimento com as denúncias.
Fonte: Folha de S. Paulo