O ex-marqueteiro João Santana, figura chave nas campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva em 2006 e Dilma Rousseff em 2010, expressou preocupação com a participação do presidente e da primeira-dama, Janja da Silva, no Carnaval do Rio de Janeiro. Em vídeo divulgado em seu perfil no Instagram, Santana classificou a exposição do casal na folia como um “cenário de soma negativa, onde todos saem perdendo”.
A crítica surge em meio à homenagem que a escola de samba Acadêmicos de Niterói fará a Lula em seu enredo deste ano. A agremiação desfilará no domingo, 15 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí. O presidente Lula deve assistir ao evento em um camarote, enquanto Janja está prevista para ser destaque em um carro alegórico.
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Preocupação com eleitores e regiões estratégicas
Santana destacou que a participação do casal no Carnaval pode ter repercussões negativas em diferentes partes do país. Ele citou especificamente o interior de São Paulo, o Sudeste e o Sul, regiões onde, segundo o ex-marqueteiro, “Lula precisa desesperadamente de votos”. A preocupação também se estende ao eleitorado evangélico e ao Nordeste.
Para o estrategista político, o ambiente do Carnaval, por sua natureza irreverente e crítica, é mais propício para a “demolição” do que para a construção de imagem de políticos. Ele alertou para o risco de a estratégia “sair pela culatra”, ressaltando o “equilíbrio delicado” entre a festa popular e a política.
“Acidez crítica, liberação, irreverência são seus principais temperos”, pontuou Santana, ao analisar a dinâmica do Carnaval.
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Judicialização e politização da folia
O ex-marqueteiro também sugeriu que a decisão sobre a participação de Janja no desfile pode ter sido mais influenciada por análises jurídicas do governo do que por avaliações de núcleos de estratégia e comunicação. Santana vê no episódio um reflexo da “judicialização da política” adentrando o “terreno minado da politização do carnaval”.
Proibição para o alto escalão
Em linha com as preocupações levantadas por Santana, o ministro Sidônio Palmeira, responsável pela Comunicação Social, proibiu na sexta-feira (12.fev.2026) que integrantes do primeiro escalão do governo desfilem no Carnaval do Rio. A medida visa evitar o desgaste da imagem do presidente Lula em um ano eleitoral.
A recomendação para autoridades que comparecerem ao Sambódromo é que permaneçam em camarotes. A decisão também foi motivada pelo receio de contestações na Justiça Eleitoral. O Partido Novo já ingressou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Lula, o PT e a Acadêmicos de Niterói por propaganda eleitoral antecipada.
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Fonte: g1.globo.com