Lula avalia que Toffoli abalou imagem do STF e defende afastamento do caso Master

Lula avalia que Toffoli abalou imagem do STF e defende afastamento do caso Master

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliava internamente que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deveria se afastar do caso Banco Master, do qual era relator na corte. Lula vinha manifestando a aliados próximos que a permanência de Toffoli na investigação prejudicava a imagem da instituição. A percepção de que […]

Resumo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliava internamente que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deveria se afastar do caso Banco Master, do qual era relator na corte. Lula vinha manifestando a aliados próximos que a permanência de Toffoli na investigação prejudicava a imagem da instituição.

A percepção de que o afastamento seria o melhor caminho foi compartilhada por ao menos três pessoas ligadas ao presidente, segundo apurou a reportagem. Embora não tenha havido uma reunião formal com todos os ministros, o assunto foi discutido em reserva com membros do Palácio do Planalto e também com o próprio Lula.

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A avaliação no Planalto era de que o foco não deveria ser na depreciação da figura de Toffoli, mas sim na dificuldade que a situação criava e no potencial de comprometer a imagem do Supremo. O procedimento ideal, segundo interlocutores, seria o afastamento do ministro do caso.

Lula teria afirmado a necessidade de encontrar uma “saída” para a questão, entendendo que o afastamento de Toffoli da relatoria seria essa solução.

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Encontro com PGR e investigações

Na manhã de quinta-feira (12), Lula se reuniu com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em um encontro fora da agenda oficial. A reunião ocorreu um dia após a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) indicando menções a Toffoli no celular do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

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O encontro, que durou cerca de meia hora, teria abordado investigações policiais relacionadas a apostas esportivas (bets) e a bancos. A Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) informou que a reunião será adicionada à agenda oficial.

Auxiliares do Planalto relataram que o encontro entre Lula e Gonet já estava combinado desde a abertura do ano judiciário, no início do mês. Na ocasião, Lula discursou na presença dos ministros do STF, incluindo Toffoli, falando em punição a “magnatas do crime”.

Diferenças com o Congresso e relatório da PF

A postura de Lula contrasta com a articulação da cúpula do Congresso Nacional. Parlamentares e o chamado Centrão têm buscado blindar Dias Toffoli e conter discussões sobre um possível impeachment do ministro.

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Nesta semana, a PF encaminhou ao ministro Edson Fachin, relator do caso no STF, um relatório apontando menções a Toffoli no celular de Daniel Vorcaro. O documento também citaria mensagens sobre pagamentos à empresa Maridt, que teria Dias Toffoli como um de seus sócios.

Decisão do STF e manifestação de Toffoli

Diante do novo capítulo da crise envolvendo o Banco Master, o presidente do STF, Edson Fachin, convocou para quinta-feira (12) uma reunião com os demais ministros para discutir o caso. O encontro serviu para que Fachin informasse os colegas sobre o relatório da PF e sobre a resposta de Toffoli.

Em sua manifestação, Toffoli negou haver razões para sua suspeição no caso, afirmando não ter relações pessoais ou de proximidade com Daniel Vorcaro. Ele confirmou, no entanto, ter sido sócio do resort Tayayá, mas negou ter recebido dinheiro de Vorcaro.

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A resposta de Toffoli foi encaminhada por Fachin à Procuradoria-Geral da República (PGR) para análise, juntamente com o relatório da PF. O ministro já havia divulgado duas notas públicas, uma na quarta-feira (11) afirmando que a PF fazia “ilações”, e outra na quinta-feira (12) detalhando sua posição.

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Crise sem precedentes e futuro do caso

Nos bastidores do STF, a avaliação é de que o cenário se agravou para Dias Toffoli. A corte estaria vivendo uma crise sem precedentes, com o presidente Fachin novamente em uma posição delicada para lidar com os desgastes crescentes.

A tendência é que Fachin negue a arguição de suspeição, pois a PF não teria legitimidade para fazer tal requerimento. A decisão de Fachin deve ser monocrática, focada na questão técnica e sem adentrar no mérito das relações entre Toffoli e Vorcaro.

Uma reunião que estava prevista para esta quinta-feira (12), com um almoço de confraternização entre os ministros para debater um código de conduta, foi cancelada. O evento já havia sido comunicado aos gabinetes em 4 de fevereiro.

Fonte: Folha de S.Paulo

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