Um memorando recém-divulgado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) lança luz sobre os planos e expectativas da administração Trump em relação a uma operação militar secreta para capturar o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A ação, batizada de “Operação Resolução Absoluta”, visava prender Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em janeiro, e os planos detalhavam a antecipação de uma “resistência significativa” por parte das forças de defesa venezuelanas.
Antecipando o Confronto Aéreo
O documento, com extensas partes censuradas, aponta que os planejadores americanos previam até 75 posições de baterias antiaéreas ao longo da rota de aproximação para o Forte Tiuna, em Caracas. Esta instalação militar é um centro nevrálgico das Forças Armadas venezuelanas, abrigando o Ministério da Defesa e outras infraestruturas críticas, e era o local onde se acreditava que Maduro estivesse. A expectativa era de que as aeronaves americanas, que incluíam mais de 150 caças, bombardeiros e drones, enfrentassem um ambiente hostil.
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Equipamentos de Rússia e China na Mira
A Venezuela, sob sanções internacionais e com um histórico de tensões com os EUA, dependia de sistemas de defesa aérea fornecidos pela Rússia e pela China. O memorando menciona a posse de “armas” capazes de abater helicópteros em baixa altitude, possivelmente referindo-se a sistemas portáteis de defesa aérea russos Igla, dos quais Maduro afirmava possuir milhares de unidades. Sistemas como S-300, Buk e Pechora, além de radares chineses, compunham a espinha dorsal da defesa aérea venezuelana, embora a prontidão e operacionalidade de alguns desses equipamentos fossem questionáveis.
O Fator Surpresa e os Riscos da Missão
A estratégia americana envolvia a neutralização prévia dos sistemas antiaéreos para garantir a segurança dos helicópteros que transportariam as tropas de assalto. O memorando ressaltava que “o sucesso dependerá do fator surpresa”, indicando a alta complexidade e os riscos inerentes à missão. Além dos alvos de fogo, três aeródromos foram identificados como potenciais alvos de destruição caso houvesse indícios de concentração de caças venezuelanos para interceptar a força de ataque, embora houvesse ressalvas quanto ao uso civil desses locais.
Confronto e Consequências
Apesar da resistência esperada, as defesas aéreas venezuelanas não conseguiram derrubar aeronaves americanas. O general Dan Caine, Chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, afirmou que os sistemas foram rapidamente desmantelados. No entanto, a operação não ocorreu sem confrontos. Relatos indicam que um helicóptero foi atingido por disparos, embora tenha permanecido em condições de voo, e sete militares americanos sofreram ferimentos. Por outro lado, Venezuela e Cuba alegaram dezenas de baixas entre suas forças de segurança durante a incursão, contrastando com o número de feridos nos EUA.
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Imagens de satélite posteriores à operação revelaram danos significativos no Forte Tiuna e em um aeródromo em Higuerote, onde um sistema de defesa aérea e uma aeronave leve foram destruídos. A divulgação do memorando do DOJ levanta questões sobre a legalidade e a justificativa da incursão americana, apresentada internamente como uma operação de aplicação da lei para evitar um ato de guerra.
Fonte: R7