O dólar à vista encerrou o pregão de segunda-feira (12) com uma valorização modesta de 0,11%, alcançando R$ 5,3723. A sessão foi marcada por um cenário doméstico com poucas novidades relevantes, enquanto o mercado internacional direcionava suas atenções para o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.
A moeda norte-americana registrou um leve ganho em relação ao real, mesmo sustentando perdas frente a diversas outras divisas globais. A instabilidade externa foi impulsionada por declarações do governo Trump, que voltaram a ameaçar o chair do Fed, Jerome Powell.
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No acumulado do ano, o dólar acumula uma desvalorização de 2,13% frente ao real.
Ameaças a Powell e o Impacto no Mercado
No domingo, Jerome Powell revelou que o Fed havia recebido intimações do Departamento de Justiça. Essas intimações estavam relacionadas a comentários feitos por ele ao Congresso sobre os custos de uma reforma na sede da instituição, estimada em US$ 2,5 bilhões.
Powell classificou a ação como “sem precedentes” e a inseriu em um contexto mais amplo de “ameaças do governo e da pressão contínua” por taxas de juros mais baixas. Ele também indicou uma tentativa de maior influência sobre as decisões do Fed.
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Essa pressão sobre Powell contribuiu para a desvalorização do dólar em relação a moedas como o euro, a libra esterlina, o franco suíço e a maioria das moedas de economias emergentes durante a sessão de segunda-feira.
Movimentação do Dólar no Brasil
No mercado brasileiro, o dólar à vista chegou a registrar sua cotação mínima do dia às 9h02, atingindo R$ 5,3489, uma queda de 0,33%. No entanto, a moeda recuperou parte das perdas ao longo do dia.
Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, comentou que a abertura em queda estava alinhada com o exterior, onde moedas emergentes se valorizavam. “Depois (o dólar) voltou para o plano positivo aqui”, observou.
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Bergallo sugere que a queda acumulada do dólar no ano, de cerca de 2%, abriu espaço para “alguma possibilidade de realização”, o que justificaria as cotações mais elevadas observadas na sessão.
A maior cotação do dia para o dólar à vista ocorreu às 11h05, quando atingiu R$ 5,3879, um avanço de 0,40%, antes de retornar para perto da estabilidade.
Cenário Doméstico e Liquidez
Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, destacou que, embora o índice DXY (que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas) estivesse em queda, o cenário doméstico não apresentava fatores específicos para justificar a desvalorização do real. Ele aponta para uma “pontual saída de capital” como possível explicação.
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“O Brasil ainda negocia em um ambiente de liquidez reduzida, operando no patamar entre R$ 5,35-R$ 5,40, com baixa amplitude de preço e poucos catalisadores domésticos”, acrescentou Lobo.
No noticiário local, o principal destaque foi o encontro entre representantes do Banco Central e do Tribunal de Contas da União (TCU) para discutir o caso do Banco Master.
Após a reunião, o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, informou que o BC considera “muito importante” que o tribunal realize uma inspeção sobre a liquidação do banco. Ele garantiu que a inspeção será feita com interlocução entre os dois órgãos.
Expectativas Econômicas e Juros
O boletim Focus do Banco Central, divulgado mais cedo, mostrou que a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim de 2026 e 2027 permaneceu em R$ 5,50.
As projeções para a inflação em 2026 foram revisadas de 4,06% para 4,05%, enquanto para 2027, a expectativa se manteve em 3,80%.
A taxa básica de juros, a Selic, para o fim deste ano continuou estimada em 12,25%, e para o final de 2025, permaneceu em 10,50%.
O diferencial entre a taxa de juros americana, atualmente na faixa de 3,50% a 3,75%, e a brasileira, em 15%, tem sido apontado como um fator que atrai recursos para o Brasil, ajudando a manter o dólar em níveis mais distantes dos R$ 6,00 nos últimos meses.
Às 17h10, o índice do dólar caía 0,37%, cotado a 98,865 pontos.
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Fonte: G1