O Banco Central (BC) informou ao Tribunal de Contas da União (TCU) ter encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) um relatório com indícios de fraudes em operações envolvendo o Banco Master e fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
As transações, que somam R$ 11,5 bilhões entre julho de 2023 e julho de 2024, foram estruturadas com falhas graves e em desacordo com as normas do Sistema Financeiro Nacional, segundo o documento do BC.
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Esta é a segunda denúncia do BC ao MPF sobre irregularidades do Master. A primeira envolveu a revenda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes ao BRB.
O relatório aponta para inadequado gerenciamento de capital e risco, além de negócios sem garantia, liquidez e diversificação, o que teria agravado a crise do Master e justificado processos administrativos sancionadores.
A Reag é uma das empresas investigadas na Operação Carbono Oculto, que apura a relação entre o setor de combustíveis, o PCC (Primeiro Comando da Capital) e instituições financeiras.
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Suspeita-se que os fundos administrados pela Reag, como o Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e o D Mais Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, teriam sido utilizados para pulverizar recursos em nome de “laranjas”, visando ocultar a origem e destinação dos valores.
Esses recursos também teriam sido realocados em uma tentativa de venda do Banco Master para o BRB.
O documento do BC enviado ao TCU detalha a comunicação ao MPF em 17 de novembro de 2025, com indícios de crimes de desvio de recursos e gestão fraudulenta.
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O processo em andamento no TCU investiga possíveis falhas e omissões do próprio Banco Central na fiscalização do caso Master. A apuração, sob sigilo do ministro relator Jhonatan de Jesus, pode influenciar o futuro de Daniel Vorcaro, controlador do Master, em futuras condenações criminais.
Há divisão de opiniões entre ministros e técnicos do TCU sobre a extensão do poder da corte para reverter a liquidação do Master, decretada pelo BC em novembro passado.
Na última terça-feira, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, foram ouvidos pela Polícia Federal. Vorcaro e Costa passaram por acareação devido a versões conflitantes.
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Os depoimentos ocorreram no STF e foram acompanhados por um membro do MPF e um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator das apurações sobre o Master na corte.
Desde o início de dezembro, as diligências e medidas relacionadas à investigação sobre o Master e Vorcaro precisam da aprovação de Toffoli.
A investigação sobre a tentativa de venda do Master revelou que o banco teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado ao BRB antes mesmo da formalização do negócio. Desse total, R$ 6,7 bilhões seriam em contratos falsos e R$ 5,5 bilhões em valor estimado da carteira, incluindo um bônus.
Fonte: Folha