A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma resolução que visa limitar a capacidade do presidente Donald Trump de engajar em novas ações militares contra o Irã sem a aprovação prévia do Congresso. A votação, apertada com 215 votos a favor e 208 contra, contou com o apoio de quatro republicanos, sinalizando uma divergência incomum dentro do partido em relação à política externa do atual governo.
Pressão bipartidária contra escalada militar
Esta é a quarta tentativa da Câmara de restringir os poderes de guerra de Trump, com democratas argumentando que a Constituição confere ao Congresso a prerrogativa de declarar guerra. A medida, no entanto, ainda enfrenta um caminho desafiador no Senado, controlado pelos republicanos, e Trump possui o poder de veto, que exigiria uma maioria qualificada em ambas as casas para ser derrubada.
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O deputado republicano Tom Barrett, de Michigan, justificou seu voto afirmando que é dever do Congresso proteger seu poder de declarar guerra. Gregory Meeks, principal democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, classificou a votação como uma “repreensão bipartidária significativa à guerra ilegal do presidente Trump no Irã” e um passo crucial para sua eventual conclusão.
Críticos apontam que a intervenção militar não atingiu seus objetivos declarados, ao mesmo tempo em que elevou os preços globais de combustíveis e dificultou a diplomacia em torno do programa nuclear iraniano. A aprovação da medida no Congresso reflete uma crescente preocupação dos eleitores americanos com o envolvimento em conflitos prolongados no Oriente Médio.
Um conflito complexo e volátil
Os Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã em fevereiro, desencadeando uma resposta iraniana com ataques a Israel e aliados dos EUA no Golfo Pérsico, além de ações que impactaram o Estreito de Ormuz. Apesar de um acordo inicial de cessar-fogo anunciado em abril, os EUA realizaram novos ataques, com o Irã respondendo contra o Kuwait. Trump, por sua vez, expressou otimismo quanto a um acordo iminente, descrevendo as negociações como “muito bem” e com possibilidade de finalização rápida.
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Cessar-fogo entre Israel e Líbano mediado pelos EUA
Em um desenvolvimento paralelo, Israel e Líbano anunciaram um acordo de cessar-fogo mediado pelo Departamento de Estado dos EUA. O acordo está condicionado à interrupção completa dos ataques do Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, e inclui a retirada de combatentes do Hezbollah de uma área controlada por Israel no sul do Líbano. A trégua ocorre após uma escalada de violência na região, com ataques israelenses e lançamento de foguetes do Hezbollah.
Este acordo representa um avanço diplomático significativo em uma região marcada por décadas de conflito. O Líbano se tornou parte da escalada de tensões em março, após o Hezbollah lançar foguetes contra Israel em resposta a um ataque que matou um líder iraniano. A ofensiva israelense subsequente resultou em milhares de mortos e mais de um milhão de deslocados no Líbano, segundo a ONU.
Os dois países concordaram em se reunir novamente em 22 de junho para discutir um acordo mais abrangente. Um cessar-fogo anterior, mediado pelos EUA em abril, não foi suficiente para conter os combates, evidenciando a fragilidade da paz na região e a complexidade dos atores envolvidos, incluindo o Hezbollah, classificado como organização terrorista por diversos países.
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Fonte: G1