A Cuba de Miguel Díaz-Canel Bermúdez vive um momento de alta tensão com os Estados Unidos. A ilha, já asfixiada por uma severa crise energética, tornou-se alvo de um escrutínio intensificado por parte do governo de Donald Trump. Sinais de advertência, desde a ameaça de sanções a países fornecedores de petróleo até o aumento da vigilância aérea e declarações belicosas, indicam que Havana retornou ao centro das atenções de Washington.
Crise Energética e Pressão dos EUA
Desde o final de janeiro, Cuba enfrenta uma crise energética sem precedentes. A escassez de combustível se intensificou após os Estados Unidos ameaçarem impor represálias a qualquer nação que fornecesse petróleo à ilha. O impacto é devastador: apagões que superam 19 horas diárias na capital e dias inteiros sem luz em províncias mais remotas. Recentemente, o governo cubano admitiu o esgotamento de suas reservas de combustível, um anúncio que desencadeou protestos em Havana.
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Declarações de Confronto e Intimidação
Em meio a essa crise, autoridades americanas elevaram o tom. Declarações sobre uma possível operação militar para “assumir” o controle da ilha foram feitas, com o presidente Trump afirmando que os EUA poderiam fazê-lo “quase imediatamente” após o fim da guerra contra o Irã. A resposta cubana, através de Díaz-Canel, foi firme: “nenhum agressor, por poderoso que seja, encontrará rendição em Cuba”. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificou o cenário cubano como “inaceitável” e prometeu “resolver o problema”, declarações que Havana rotulou como “perigosas” e “crime internacional”.
Vigilância Aérea e Pressão Psicológica
Agências militares e de inteligência dos EUA intensificaram voos de “vigilância” em áreas próximas a Cuba, utilizando aeronaves e drones. Segundo reportagens, o objetivo principal é aumentar a pressão política e econômica sobre o governo cubano, funcionando como uma estratégia de intimidação e demonstração de força, e não como preparativo para uma ação militar iminente. A movimentação, segundo especialistas, visa aumentar a pressão psicológica sobre Havana.
Diálogo e Oferta de Ajuda sob Condições
Em um movimento de dupla face, o diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se com autoridades cubanas em Havana. A mensagem transmitida foi de que os EUA estão dispostos a discutir temas econômicos e de segurança, desde que Cuba promova “mudanças fundamentais”. Apesar das tensões, ambos os lados expressaram interesse em ampliar a cooperação entre agências de segurança. Paralelamente, o Departamento de Estado dos EUA ofereceu US$ 100 milhões em ajuda direta ao povo cubano, a ser distribuída com apoio da Igreja Católica e ONGs independentes. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, contudo, respondeu que a melhor forma de ajudar seria suspender o embargo econômico.
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Ameaça de Indiciamento e Memória Histórica
Um dos desdobramentos mais significativos é o plano dos EUA de indiciar o ex-presidente cubano Raúl Castro. A acusação, prevista para ser anunciada em Miami, estaria ligada ao abatimento de aeronaves de um grupo de exilados cubanos em 1996, quando Castro era ministro da Defesa. O incidente, que resultou na morte de quatro ativistas, gerou condenação internacional e sanções contra Cuba. A possibilidade de uma acusação criminal contra um ex-líder cubano, especialmente em Miami, adiciona uma camada histórica e emocional complexa às já elevadas tensões bilaterais.
Fonte: The New York Times, Reuters