Ciro Nogueira troca triplex por mansão de R$ 30 milhões em São Paulo, alvo da PF

Ciro Nogueira troca triplex por mansão de R$ 30 milhões em São Paulo, alvo da PF

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), que figura como alvo de investigação pela Polícia Federal (PF) no âmbito do escândalo do Banco Master, está prestes a se tornar proprietário de uma mansão de 878 metros quadrados no Jardim Europa, um dos bairros mais exclusivos de São Paulo. A residência, cuja conclusão está prevista para este ano, […]

Resumo

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), que figura como alvo de investigação pela Polícia Federal (PF) no âmbito do escândalo do Banco Master, está prestes a se tornar proprietário de uma mansão de 878 metros quadrados no Jardim Europa, um dos bairros mais exclusivos de São Paulo. A residência, cuja conclusão está prevista para este ano, tem valor estimado pelo próprio parlamentar em cerca de R$ 30 milhões.

O alto valor do imóvel é justificado pelo projeto arquitetônico assinado por Arthur Casas Mattos, profissional com premiações internacionais e responsável por obras notórias como o Hotel Emiliano, no Rio de Janeiro.

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A aquisição da mansão foi revelada como uma permuta. Ciro Nogueira entregará em troca uma cobertura triplex, adquirida por ele em julho de 2024 por R$ 22 milhões. A compra do triplex ocorreu apenas 26 dias após a apresentação da chamada “emenda Master” no Senado, que, segundo as investigações, visava beneficiar o banco de Daniel Vorcaro.

A negociação da mansão ocorre com o empresário Antônio Rocha Neto, amigo do senador e atuante nos setores de educação e transportes. O acordo prevê a entrega do triplex, localizado na Rua Oscar Freire, como parte do pagamento pela nova residência. O triplex, também em fase final de construção, tem valor estimado em torno de R$ 30 milhões quando pronto.

A futura mansão apresentará um design modernista, com características marcantes de Arthur Casas, como o uso de concreto aparente em tom bege e linhas retas. O projeto inclui quatro andares, subsolo com estacionamento, academia, SPA no último pavimento, quatro quartos – sendo uma suíte master com closet e vista para a piscina e jardim de inverno.

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O senador e sua companheira, Lorena Furtado, solicitaram alterações no projeto original para adaptá-lo às suas necessidades. Uma das modificações acatadas foi a transformação de um home theater em um espaço dedicado a festas, equipado com bar e mesa de DJ, com a intenção de utilizar o imóvel como uma “casa de negócios”.

A mansão no Jardim Europa foi construída pelo empresário Antônio Rocha Neto, que declarou ser amigo de Ciro Nogueira há mais de 20 anos. Rocha Neto adquiriu o terreno em julho de 2023 por R$ 6 milhões e contratou o Studio Arthur Casas para o projeto e uma construtora para a edificação.

O empresário explicou que a mudança de planos para vender o imóvel ocorreu após sua família ser vítima de um assalto. “Decidi fazer a permuta com Ciro por esse motivo. A casa era para eu morar com a família. Mas depois desse assalto mudamos de ideia”, afirmou Rocha Neto, sem detalhar os custos da construção.

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Desde o início do ano, o senador e Lorena Furtado passaram a interagir com os arquitetos, propondo mudanças. Algumas alterações, como as estruturais em concreto maciço, não foram possíveis. O casal concentrou as modificações no interior dos cômodos, como a criação do espaço para festas.

Lorena Furtado tem participado ativamente das reuniões no Studio Arthur Casas, acompanhando o andamento da obra e selecionando móveis para a nova residência.

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Sociedade e “Emenda Master” sob Investigação

O triplex que Ciro Nogueira oferece na permuta foi adquirido em julho de 2024 por R$ 22 milhões. A compra ocorreu três meses após o senador se tornar sócio do banqueiro Daniel Vorcaro e 26 dias antes de apresentar a “emenda Master”. Essa emenda é apontada pela PF como um elo entre o parlamentar e o banco envolvido em supostas fraudes financeiras.

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Na quinta-feira (07/05), Ciro Nogueira foi alvo de mandados de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero. A investigação suspeita que ele atuou “em favor do banqueiro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”.

Segundo o senador, a compra do triplex envolveu a entrega de um apartamento no mesmo prédio, avaliado em R$ 8 milhões, e o restante pago em dinheiro, de forma parcelada. Ele declarou que ainda faltam seis parcelas de R$ 336 mil e R$ 6,7 milhões na entrega das chaves.

Ciro Nogueira afirmou que a negociação e o pagamento integral do triplex foram feitos por sua empresa, a CNLF Empreendimentos Imobiliários, que é suspeita de ter sido utilizada para receber pagamentos ilícitos do Banco Master.

O imóvel entregue na permuta, localizado no primeiro andar do edifício, teria sido adquirido em janeiro de 2023. O senador alega que chegou a considerar a troca por outro apartamento no mesmo prédio, no 17º andar, mas desistiu e posteriormente realizou a permuta pelo triplex.

O parlamentar sustentou que a compra do primeiro imóvel no edifício ocorreu antes mesmo de conhecer Daniel Vorcaro.

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Pagamentos e Suspeitas de “Mesada”

As investigações da PF indicam que a “emenda Master”, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024, tinha como objetivo blindar as operações fraudulentas do banco. O texto propunha quadriplicar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

Em mensagens interceptadas, Daniel Vorcaro teria comemorado a aprovação da emenda, afirmando que o texto saiu “exatamente como mandei”. Em contrapartida, a investigação aponta que o senador recebia uma “mesada” de R$ 300 mil a R$ 500 mil do banqueiro.

Diálogos entre Vorcaro e seu primo, Felipe Vorcaro, revelam questionamentos sobre a continuidade de pagamentos a parcerias envolvendo as empresas BRGD e CNLF. As mensagens sugerem que os valores eram destinados a Ciro Nogueira.

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A PF aponta que a CNLF, holding patrimonial do senador, cujo CNPJ está registrado em nome de seu irmão, foi utilizada tanto na aquisição do triplex quanto da futura mansão.

Defesa de “Perseguição Política”

Em resposta às operações da PF, Ciro Nogueira se manifestou nas redes sociais, classificando as ações como “perseguição política” e uma tentativa de “manchar” sua honra em ano eleitoral.

O senador argumentou que essas acusações são recorrentes em anos de eleição e visam prejudicar lideranças com boas intenções de voto. Ele relembrou acusações semelhantes em 2018, afirmando que o eleitorado do Piauí reagiu de forma contrária à “perseguição política” naquela ocasião.

Fonte: Metrópoles

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