Um exame minucioso realizado pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, em Brasília, confirmou que as anotações encontradas em um livro histórico apreendido com Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, em 1789, são de autoria do próprio inconfidente. A obra, considerada subversiva na época, era um dos pilares ideológicos do movimento que clamava pela independência de Minas Gerais.
Um Legado Confirmado em Tinta
A autenticidade das escritas, que atravessou séculos de incertezas, foi confirmada através da técnica de grafoscopia. Peritos analisaram a morfologia das letras, o movimento da escrita e a ligação entre os traços, utilizando equipamentos de alta tecnologia como mesas reprodutivas com iluminação especial e comparadores espectrais de vídeo. O objetivo era decifrar as pequenas anotações que Tiradentes fez no livro.
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“Nós temos uma mesa especial com iluminação especial para auxiliar porque as anotações elas são muito pequenas”, explica Acir de Oliveira Junior, perito criminal federal. A análise comparativa com documentos originais escritos por Tiradentes permitiu aos especialistas atingir o “nível mais alto da nossa escala de conclusão”, atestando com alta segurança que as anotações são de sua autoria.
Ideais Republicanos em Papel
O livro, que estava com Tiradentes no momento de sua prisão no Rio de Janeiro, continha ideias que inspiraram a Inconfidência Mineira, movimento de forte caráter republicano e separatista. As anotações revelam um Tiradentes engajado com a causa, traduzindo textos em francês e sublinhando passagens que tratavam de temas como a escolha de representantes e formas de governo, indicando um profundo interesse pela organização de um novo estado.
Ângelo Osvaldo, prefeito de Ouro Preto, destaca a importância da descoberta: “Esse livro é uma prova de que Tiradentes estava comprometido com a ideologia republicana, que ele queria transformar o Brasil numa república e independente à maneira dos Estados Unidos ou uma constituição”.
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Uma Nova Visão Sobre o Mártir de Minas
A confirmação da autoria das anotações redefine a percepção sobre Tiradentes, apresentando-o como uma figura mais complexa, diretamente conectada a ideias revolucionárias e atenta às transformações políticas globais. O livro, que passou por diversas mãos desde a morte do inconfidente, incluindo o Arquivo Nacional e o governo colonial, encontra-se hoje no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, uma cidade que respira a história do movimento.
Alex Calheiros, diretor do Museu da Inconfidência, ressalta a mudança de perspectiva: “Modifica tudo, porque a inconfidência também sempre foi vista como um movimento político organizado e feito sobretudo pelas elites”. A historiadora Heloisa Starling complementa, enfatizando que Tiradentes enviava uma mensagem: “Vamos pensar a liberdade. Vamos pensar uma sociedade, com direitos, com a democracia”.
Este achado histórico reforça o papel de Tiradentes como um símbolo fundamental da luta pela liberdade e um personagem crucial para a compreensão do presente e futuro do Brasil, com raízes profundas fincadas em solo mineiro.
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Fonte: Exame