Um dos réus na Operação Rejeito, deflagrada no final do ano passado para desbaratar um esquema bilionário de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes ambientais no setor de mineração em Minas Gerais, acusa a Polícia Federal de ter omitido informações cruciais aos tribunais superiores. A defesa do advogado João Alberto Lages busca, agora, que o caso retorne à primeira instância da Justiça Federal de Minas Gerais, argumentando que a investigação deveria ter tramitado em foro privilegiado.
Supremo devolve caso e levanta suspeitas sobre omissão da PF
O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas foi devolvido ao juízo de primeira instância pelo ministro Dias Toffoli, sob a justificativa de ausência de investigados com foro privilegiado. No entanto, a defesa de Lages aponta que a Polícia Federal teria deixado de comunicar ao STF um dado relevante: a identificação de um depósito de R$ 500 mil enviado a um deputado estadual mineiro.
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Deputado estadual mineiro citado em relatório de inteligência financeira
Segundo a peça de defesa protocolada na segunda instância da Justiça Federal em Minas, o próprio relatório de inteligência financeira da PF teria registrado o depósito em questão, destinado ao deputado estadual Roberto Dias de Andrade (PSB-MG). A acusação é de que a corporação não teria revelado a qualificação funcional do beneficiário do valor, apesar de o parlamentar ser nominalmente citado na investigação.
Defesa pede reconhecimento de competência do TRF-6
Em um pedido de liminar apresentado na última quarta-feira (10), a defesa de João Alberto Lages solicita o reconhecimento da competência do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) para supervisionar todos os atos investigativos que envolvam, direta ou indiretamente, a participação do deputado estadual Roberto Dias de Andrade nas Operações Rejeito e em outras correlatas. A liminar ainda aguarda julgamento.
Operação Rejeito e o impacto no setor de mineração mineiro
A Operação Rejeito, que teve desdobramentos em diversas cidades do interior de Minas Gerais, focou em desarticular uma complexa rede criminosa envolvida na extração ilegal de minérios, evasão fiscal e lavagem de dinheiro, com forte impacto na economia e no meio ambiente do estado. A investigação aponta para um rombo bilionário aos cofres públicos e danos ambientais significativos, especialmente em regiões com forte atividade de mineração, como o Vale do Aço e o Sul de Minas.
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A possível omissão de informações pela Polícia Federal em um caso de tamanha magnitude, que envolve figuras políticas e um esquema financeiro expressivo, levanta sérias questões sobre a condução das investigações e a transparência dos procedimentos perante os órgãos judiciais superiores. A decisão sobre a competência do TRF-6 para analisar o caso poderá redefinir o curso da Operação Rejeito e suas ramificações em Minas Gerais.
Fonte: G1