Viagem de Mario Frias acumula versões e levanta suspeitas na Câmara

Viagem de Mario Frias acumula versões e levanta suspeitas na Câmara

As explicações do deputado Mario Frias (PL-SP) sobre sua recente viagem internacional têm sido marcadas por inconsistências, gerando questionamentos sobre a natureza e a autorização de suas agendas no Bahrein e nos Estados Unidos. A polêmica ganhou força após o ministro Flávio Dino dar um prazo de 48 horas para a Câmara dos Deputados esclarecer […]

Resumo

As explicações do deputado Mario Frias (PL-SP) sobre sua recente viagem internacional têm sido marcadas por inconsistências, gerando questionamentos sobre a natureza e a autorização de suas agendas no Bahrein e nos Estados Unidos.

A polêmica ganhou força após o ministro Flávio Dino dar um prazo de 48 horas para a Câmara dos Deputados esclarecer a situação funcional do parlamentar enquanto estava no exterior.

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Em resposta à pressão, Frias utilizou as redes sociais para afirmar que cumpria uma “agenda oficial” com o conhecimento do presidente da Câmara, Arthur Lira. No entanto, apurou-se que o contato com Lira ocorreu apenas após a decisão de Dino, e o deputado informou que, após o Bahrein, estava nos Estados Unidos.

A própria Câmara dos Deputados adotou um tom mais cauteloso em sua comunicação oficial. A Casa informou que Frias solicitou afastamento para uma “missão oficial sem ônus” entre os dias 19 e 22 de maio, com destino a Dallas, Texas (EUA), a convite do grupo Yes Brazil USA.

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Essa nota, no entanto, evitou confirmar a autorização formal da missão. Pedidos de afastamento para missões oficiais funcionam como comunicações administrativas que dependem de deliberação posterior. O pedido de Frias ainda não foi aprovado formalmente, o que pode acarretar descontos em folha ou outras medidas administrativas.

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Divergência de datas e novas justificativas

Outro ponto que levantou dúvidas foi a diferença entre o período informado oficialmente pela Câmara e a data de retorno divulgada pelo próprio deputado. Enquanto a Casa mencionou o período de 19 a 22 de maio, Frias declarou que retornaria ao Brasil apenas em 25 de maio, data que coincide com uma viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA, alimentando especulações sobre agendas políticas não declaradas.

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As justificativas apresentadas pelo deputado também mudaram. Em entrevista ao SBT, Frias declarou que esteve no Bahrein para propor investimentos no Brasil e, nos Estados Unidos, estaria prospectando investimentos ligados à segurança pública. “Como deputado, estive agora no Bahrein propondo alguns investimentos no Brasil e agora estou nos Estados Unidos para fazer também uma prospecção de um investimento em segurança pública. Mas eu volto ao Brasil. Não devo nada. Estou pronto para prestar conta. Estou à disposição da Justiça”, afirmou.

Perfil do grupo convidante gera questionamentos

A nova justificativa para a agenda nos EUA passou a gerar questionamentos devido ao perfil do grupo Yes Brazil USA. A organização é conhecida por sua atuação política ligada ao bolsonarismo no exterior, promovendo eventos com Jair Bolsonaro e reunindo influenciadores e ativistas conservadores brasileiros radicados nos EUA.

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Reportagens indicam que o grupo atua em conferências e eventos voltados ao público conservador, com um discurso alinhado à direita bolsonarista. Esse perfil ideológico contrasta com a justificativa de Frias de prospectar investimentos em segurança pública e para o Brasil, uma vez que o grupo não possui um perfil institucional ligado a essas áreas ou à representação diplomática.

Histórico de pedidos não deliberados

A Câmara também confirmou que Mario Frias havia apresentado anteriormente outro pedido de missão internacional para o Bahrein, entre 12 e 18 de maio, que também não teve deliberação formal.

Apesar de o deputado ter bloqueado o contato da reportagem após os questionamentos, o espaço permanece aberto para seus esclarecimentos.

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Fonte: g1.globo.com

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