Minas Gerais enfrenta um ressurgimento preocupante da tuberculose, alcançando a marca de mais de 5 mil casos anuais em 2023 e 2024. Este patamar não era registrado desde 2008, sinalizando um retrocesso significativo no controle da doença no estado.
Aumento de Casos e Mortes Alarmantes
Os dados recentes revelam uma curva ascendente tanto nos novos diagnósticos quanto nos óbitos. Os anos de 2021, 2022 e 2023 figuram entre os mais letais desde 2010 para a tuberculose em Minas, com 220, 272 e 261 mortes, respectivamente. A história de Joicemaira Santana, de Manhuaçu, que lutou contra a doença e a transmitiu aos filhos, ilustra a gravidade da situação e o impacto direto na vida das famílias mineiras.
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Pandemia como Catalisadora do Surto
Especialistas apontam a pandemia de COVID-19 como um dos principais fatores por trás desse aumento. A crise sanitária levou à interrupção de serviços de saúde essenciais e ao medo da procura por atendimento médico, resultando na detecção tardia de casos de tuberculose. A dificuldade de acesso a planos de saúde e a sobrecarga do sistema público de saúde agravaram o cenário, permitindo que a doença se propagasse mais facilmente.
Desafios Históricos e Sociais
A tuberculose, historicamente conhecida como “tísica” ou “mal do século”, possui raízes profundas em Minas Gerais, com Belo Horizonte tendo um passado como referência no combate à doença. No entanto, fatores como a vulnerabilidade social, o consumo de álcool e drogas, e as condições precárias de moradia, especialmente em populações como a privada de liberdade e em situação de rua, dificultam a adesão ao tratamento prolongado, que dura em média seis meses.
A Luta Contra a Resistência e o Abandono
A interrupção do tratamento é um dos maiores desafios, levando ao desenvolvimento de casos resistentes à medicação. A pneumologista Giselle Lima, da UFMG, destaca a importância da atenção primária à saúde e o impacto da rotatividade de médicos em unidades básicas. A falta de conhecimento sobre a doença entre profissionais recém-formados também contribui para o atraso no diagnóstico e tratamento.
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História e Símbolos em BH
Belo Horizonte, que no passado acreditava que cidades arborizadas poderiam auxiliar no tratamento da tuberculose, abriga o Sanatório Hugo Werneck, erguido em 1928. Este antigo hospital, hoje em ruínas, é um símbolo da trajetória da doença na capital mineira e da esperança depositada em tratamentos e ambientes mais saudáveis.
Medidas de Combate e Perspectivas Futuras
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) reconhece os impactos da pandemia e tem implementado ações de capacitação, vigilância ativa e distribuição de insumos, como testes rápidos moleculares. O Ministério da Saúde, por sua vez, reforça o Programa Brasil Saudável com o objetivo de erradicar doenças de determinação social até 2030. Novas estratégias, como o esquema encurtado para tuberculose com resistência a drogas, visam otimizar o tratamento e reduzir o tempo de cura.
Fonte: Estado de Minas
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