Tensão no Palácio dos Bandeirantes: Tarcísio e Kassab em rota de colisão, saída do Secretário é dada como certa

Tensão no Palácio dos Bandeirantes: Tarcísio e Kassab em rota de colisão, saída do Secretário é dada como certa

A relação entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e seu Secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), atingiu um nível de deterioração considerado crítico nas últimas semanas. Fontes próximas à gestão estadual indicam que o clima entre os dois políticos é de acentuado atrito, e a saída de Kassab do governo é […]

Resumo

A relação entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e seu Secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), atingiu um nível de deterioração considerado crítico nas últimas semanas. Fontes próximas à gestão estadual indicam que o clima entre os dois políticos é de acentuado atrito, e a saída de Kassab do governo é vista como uma questão de tempo.

O incômodo de Tarcísio de Freitas com a atuação de Gilberto Kassab teria se intensificado devido a movimentos do PSD para expandir sua base eleitoral. A filiação em massa de prefeitos e deputados de outras legendas que compõem a base de apoio do governo estadual tem gerado instabilidade e dificuldades de articulação política para o governador.

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Outro ponto de insatisfação para Tarcísio seria a pressão exercida por Kassab para assumir a posição de vice na chapa de reeleição. Essa disputa pela vice-governadoria envolve também o atual vice, Felício Ramuth (PSD), e o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL).

Vazamento de investigação e troca de farpas

O governador também teria demonstrado irritação com o vazamento de informações sobre uma investigação envolvendo Felício Ramuth na Justiça de Andorra. Ramuth é suspeito de lavagem de mais de US$ 1,6 milhão, o que ele nega veementemente.

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Questionado pela imprensa, Tarcísio de Freitas minimizou o caso, classificando-o como “fofoca antes de eleição”. No entanto, especulações na base aliada apontam para o vazamento como uma estratégia para enfraquecer as pretensões de Ramuth, com suspeitas recaindo sobre Kassab ou André do Prado.

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Tanto André do Prado quanto Gilberto Kassab negaram qualquer envolvimento no vazamento. Por meio de sua assessoria, Kassab classificou as informações como “intrigas apócrifas de baixíssimo nível”.

Apetite político e controle de verbas

Como Secretário de Governo, pasta responsável pela gestão de emendas e convênios, Kassab é acusado por membros de outros partidos de utilizar sua influência para atrair filiados para o PSD, multiplicando o número de prefeitos na legenda. A liberação de convênios para prefeituras do PSD também teria sido facilitada, segundo as denúncias.

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Esse movimento gerou forte reação de Tarcísio de Freitas, que chegou a afirmar que seu secretário “vendia na praça” um controle da máquina pública que não possuía. O PP, por exemplo, chegou a ameaçar lançar candidato próprio ao governo em 2022, citando descontentamento de prefeitos com a gestão.

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Posicionamentos sobre a saída

No final do ano passado, Kassab indicou publicamente a possibilidade de antecipar sua saída para coordenar as eleições. Tarcísio de Freitas, ao saber da notícia pela imprensa, teria conversado com o secretário. Embora não se opusesse à saída, o governador pediu para ser informado para indicar um substituto.

Aliados de Tarcísio apostam que a saída de Kassab ocorrerá no máximo até abril, data limite para que os secretários se desincompatibilizem para concorrer às eleições. A orientação do governador é que todos na gestão estejam focados no governo, e não em campanhas eleitorais.

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Por outro lado, interlocutores de Kassab defendem que ele busca evitar um rompimento público com Tarcísio até o fim da janela partidária, em abril. O objetivo seria impedir uma debandada de deputados do PSD, preservando a força do partido para as eleições de outubro.

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Relação com Bolsonaro e identidade política

O desgaste entre Tarcísio e Kassab também se manifestou em declarações públicas sobre a relação do governador com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista, Kassab sugeriu que Tarcísio precisava mostrar sua identidade, diferenciando gratidão de “submissão” a Bolsonaro.

A declaração foi mal recebida pelo governador, que no dia seguinte reforçou sua relação de gratidão e amizade com o ex-presidente, negando qualquer submissão. Em agendas recentes, Tarcísio voltou a tocar no assunto, criticando quem “rotula lealdade como submissão” e ressaltando a raridade de “amizade e lealdade na política”.

Em resposta, Kassab publicou em redes sociais uma mensagem sobre a importância de “bons amigos e conselheiros”, interpretada como uma alfinetada no governador.

Fonte: Folha

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