A dois meses das convenções partidárias, o Partido Novo em Minas Gerais se vê em um cenário de incertezas para as próximas eleições. A sigla, que em 2018 elegeu o governador Romeu Zema e se consolidou no estado, agora enfrenta a saída de nomes com expressivo potencial eleitoral, levantando dúvidas sobre a força de suas chapas. A ambição presidencial da legenda, com o próprio Zema como pré-candidato, contrasta com os desafios internos em solo mineiro.
Perda de “puxadores” e efeito cascata
Um dos principais golpes para o Novo mineiro foi a saída de Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis e irmão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Azevedo era visto como um forte “puxador de voto” para a Câmara dos Deputados, com projeções internas de alcançar cerca de 80 mil votos. Sua migração para os Republicanos, assim como a do governador Romeu Zema para o PSD, gerou um efeito cascata, incentivando outros pré-candidatos a buscarem legendas como PL e o próprio PSD, em busca de melhores condições de financiamento e maior competitividade.
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A debandada não se limitou a figuras de proa. Candidatos considerados “de meio de chapa”, essenciais para compor um quadro competitivo em eleições proporcionais, também deixaram o partido. A insatisfação entre os filiados é atribuída à centralização das decisões pela liderança estadual, com pouca consulta aos pré-candidatos e apostas em acordos considerados frágeis pela base.
Esperança na renovação e na disputa pelo Senado
Apesar das perdas, o presidente estadual do Novo, Christopher Laguna, busca transmitir otimismo. Ele reconhece a importância de Gleidson Azevedo, que poderia viabilizar até três cadeiras na Câmara, mas argumenta que sua saída animou os remanescentes. “O pessoal de meio de chapa, que é a maioria, voltou a se engajar”, afirmou Laguna, destacando nomes como o vereador de Belo Horizonte Braulio Lara e Márcio Bernardino, presidente da Cohab-MG, como apostas para a disputa federal.
Um ponto de grande atenção é a disputa pelas duas vagas no Senado. O Novo aposta no influenciador Marco Antônio Costa, conhecido como “Superman”, que se filiou ao partido em janeiro. Com um perfil combativo e grande número de seguidores nas redes sociais, Costa já anunciou sua pré-candidatura ao Senado, alegando alinhamento com a executiva nacional. No entanto, o presidente estadual Laguna contesta, afirmando que, até o momento, Costa segue como pré-candidato a deputado federal, indicando uma possível tensão interna sobre as estratégias para a majoritária.
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Meta de votos e chapa para a Assembleia
O Novo em Minas Gerais mantém a meta ambiciosa de obter entre 400 mil e 600 mil votos. Esse desempenho é crucial não apenas para eleger representantes, mas também para auxiliar o partido a superar a cláusula de barreira nacional. O estado, como segundo maior colégio eleitoral do país, é estratégico para os planos da legenda.
Enquanto a formação da chapa para a Câmara dos Deputados enfrenta desafios, a nominata para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) parece mais consolidada. O partido planeja lançar uma chapa completa, com potencial para eleger até cinco deputados estaduais. Com cerca de 103 pré-candidatos para as 78 vagas, o Novo conta com uma participação feminina relevante, em torno de 36%. Os atuais deputados estaduais Dr. Maurício e Zé Laviola são considerados favoritos à reeleição, com forte base no interior mineiro.
A convenção estadual do partido está prevista para o final de julho, com a data-limite para registro de candidaturas em 15 de agosto. Um encontro em Belo Horizonte no próximo dia 16 deve servir como termômetro para as definições finais.
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Fonte: Gazeta do Povo