O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), em menos de seis meses no cargo, intensifica sua estratégia para a reeleição em outubro, mirando o Partido dos Trabalhadores (PT) como principal adversário. Em entrevista, Simões defende a união das forças de direita no estado e no país para frear o avanço petista, chegando a cogitar um “palanque triplo” em Minas para acomodar diferentes lideranças conservadoras.
Estratégia de União e Desafios Eleitorais
Simões, que herdou o posto de Romeu Zema (Novo), reconhece sua baixa visibilidade nas pesquisas atuais, mas aposta na proximidade do mandato para consolidar seu nome. “Os vices não são muito percebidos até que entrem no cargo”, afirma, confiante de que sua atuação nos próximos meses mudará o cenário. Ele busca atrair figuras como o deputado Nikolas Ferreira (PL) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) para sua campanha, visando fortalecer a base de direita em Minas.
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A estratégia de estar presente no interior do estado, com a capital sendo transferida temporariamente para diversas regiões, é vista como fundamental para conectar o governo com os 16 milhões de eleitores mineiros. A ideia é mostrar proximidade e garantir que o governo esteja onde “Minas de fato acontece”, especialmente nas cidades do interior que representam a maior parte da população.
Alinhamentos Nacionais e a Divisão do PSD
No âmbito nacional, Simões demonstra lealdade a Zema, seu padrinho político, mas admite a complexidade de alinhamentos. Embora o PSD tenha Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência, Simões prefere um “palanque triplo” que inclua Flávio Bolsonaro (PL), além de Zema e Caiado, para maximizar as chances de um segundo turno e derrotar o PT. Ele vê a pluralidade de candidaturas de direita como uma estratégia para diluir o voto em Lula e potencializar a vitória no segundo turno.
O governador reconhece a divisão interna do PSD, com alianças com o PT em estados como Rio de Janeiro, Bahia e Amazonas. Para ele, o partido se adapta à realidade local, sendo de centro-esquerda onde a tendência é essa e de centro-direita onde a inclinação é conservadora. “Passa um meridiano na altura de Minas Gerais: para cima, o partido é de centro-esquerda, para baixo, é de centro-direita”, explica.
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Críticas ao Judiciário e à União
Mateus Simões também se mostrou crítico em relação à atuação do Judiciário e do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que, segundo ele, interferem indevidamente na administração pública. O governador defende a autonomia do Executivo e aponta a politização de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como um problema para a estabilidade institucional.
A dívida de Minas Gerais com a União, que saltou de R$ 115 bilhões para R$ 183 bilhões no governo Zema, é atribuída por Simões à “agiotagem” do governo federal, que cobraria juros excessivos. Ele também lamenta a demora na homologação do acordo Propag, que estaria custando R$ 100 milhões mensais extras ao estado.
Privatizações e Segurança Pública
Sobre as privatizações de estatais como Copasa e Cemig, Simões aponta a resistência política e ideológica da esquerda como principal entrave. Ele argumenta que a crença na superioridade da gestão pública em detrimento da privada é um erro, e que a venda dessas empresas se faz necessária para evitar que voltem a ser “cabides de emprego” em um eventual retorno do PT ao poder.
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No combate ao crime organizado, o governador destaca as seis frentes de atuação contra o financiamento de facções criminosas e a recente prisão de mais de 2.000 faccionados. A formação de 3.000 novos soldados da Polícia Militar em maio visa reforçar o policiamento nas divisas com São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, regiões consideradas problemáticas pela entrada de grupos criminosos.
Fonte: VEJA