A Rede Sustentabilidade vive um momento de intensa disputa interna, com a ambientalista Marina Silva reafirmando sua permanência na legenda, apesar de um embate direto com a cúpula do partido, liderada por Paulo Lamac e alinhada à deputada federal Heloísa Helena.
A direção nacional da Rede divulgou nota na terça-feira (data fictícia para fins do exemplo) expressando “indignação e perplexidade” com o anúncio de Marina de que continuará na sigla. O grupo ligado a Heloísa Helena acusa a ex-ministra de se recusar a dialogar com as instâncias máximas do partido e nega ter sugerido seu desligamento.
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Após meses de incerteza e convites de outros partidos como PT e PSB, Marina declarou que sua permanência visa “retomar valores basilares” da Rede. Nos bastidores, ela indicava que lutaria “até o fim” para se manter na sigla que ajudou a fundar, mesmo com a debandada de aliados e a possibilidade de o calendário eleitoral ser um obstáculo.
A cúpula da Rede rebateu as críticas de que desrespeita o “princípio horizontal estruturante” da legenda. Em sua nota, a direção afirma ter sido eleita “de forma democrática” e defende que o partido “não tem dono”.
“A Rede não tem dono. É um partido construído para conviver com divergências, sem submissão a vontades individuais. Não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo. É compromisso com a vida democrática interna. Democracia exige respeito às decisões coletivas, e não o direito de uma minoria de paralisar o partido, judicializar impasses políticos ou tentar bloquear suas contas”, declarou a direção.
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Giovanni Mockus, aliado de Marina e derrotado por Lamac na eleição interna, comentou a nota: “No fundo, a nota da direção atual da Rede termina por reforçar o que tenta negar. Mas nós seguimos acreditando que a boa política se faz com a pluralidade de pensamentos.”
A Rede, que compõe uma federação com o PSOL, reforçou seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. Marina se colocou à disposição para ser vice na chapa de Haddad ao Senado, mas a decisão ainda não foi confirmada.
Em entrevista à GloboNews, Marina Silva afirmou que a questão interna da Rede não inviabiliza sua candidatura, mas ressaltou a importância do diálogo e criticou a tentativa de “silenciar” divergências.
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“Eu não posso permanecer fazendo de conta que vários diretórios legitimamente eleitos não foram dissolvidos e foram impostas direções provisórias. Eu não posso negar que existem divergências em relação ao programa, ao estatuto, aos princípios fundantes pelos quais milhares e milhares de pessoas se mobilizaram para coletar assinaturas”, argumentou a ex-ministra.
O tensionamento entre Marina e a liderança da Rede se intensificou após a eleição da presidência nacional em abril do ano passado, vencida pelo grupo de Heloísa Helena. A deputada, rompida com Marina desde 2022, atualmente faz oposição ao governo Lula no Congresso.
Em dezembro, aliados de Marina divulgaram um manifesto criticando a direção nacional por mudanças no estatuto partidário e alegando perseguição interna contra a ambientalista. Diversos nomes próximos a Marina deixaram a sigla, como a deputada estadual Marina Helou e o deputado federal Ricardo Galvão, que migraram para o PSB. Em contrapartida, a Rede anunciou a filiação de deputados como André Janones (MG) e Luizianne Lins (CE).
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A disputa interna já teve desdobramentos judiciais. Em janeiro, a Justiça do Rio anulou o congresso nacional da Rede que elegeu Lamac, reconhecendo irregularidades na convocação, credenciamento e votação. A decisão, por consequência, declarou nulos outros encontros no estado e em âmbito nacional.
Fonte: G1