O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quarta-feira (1º) que não pretende impor “na marra” um subsídio para reduzir o preço do diesel, buscando um acordo com os governadores. A declaração surge em meio a preocupações com aumentos considerados abusivos no valor dos combustíveis, especialmente no contexto de tensões geopolíticas globais.
Crise Global e Preços de Combustíveis
Lula justificou a necessidade de ações para conter a alta dos combustíveis citando a instabilidade no Oriente Médio, com foco no bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, que afeta o fornecimento global de petróleo. O Brasil, que importa cerca de 30% de seu diesel, sente os reflexos dessa conjuntura, com aumento dos preços internacionais.
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O governo federal já tomou medidas como a isenção de impostos federais (PIS e Cofins) sobre o diesel, equivalente a 32 centavos por litro, para evitar repasses diretos pela Petrobras e pressionar os estados a não aumentarem seus tributos.
Negociação com Estados e Diferenças com Governo Anterior
O presidente relembrou a tentativa frustrada de acordo com os governadores para a redução do ICMS, imposto estadual que incide no preço final dos combustíveis. Inicialmente, a proposta era que os estados diminuíssem a cobrança do imposto, o que não foi aceito. Agora, as negociações se concentram em uma subvenção, com o governo federal oferecendo apoio financeiro a importadores de diesel, financiado, em parte, pela retenção de recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE).
Lula fez questão de diferenciar as medidas atuais das adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro, argumentando que a situação global é distinta, marcada por conflitos internacionais. Ele criticou comparações, citando a guerra que, segundo ele, os Estados Unidos iniciaram desnecessariamente no Irã, alegando falsamente a existência de armas nucleares.
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Combate à Especulação e Punição
O presidente também abordou a questão da especulação no mercado de combustíveis, afirmando que haverá punições para aqueles que, mesmo recebendo benefícios para não reajustar os preços, aumentam os valores. Ele mencionou que a Polícia Federal e os órgãos de defesa do consumidor estaduais estão fiscalizando a situação e que “alguém” poderá ser preso caso irregularidades sejam comprovadas.
A estratégia de buscar um acordo com os estados em vez de impor medidas visa garantir a sustentabilidade e a efetividade das ações de controle de preços, buscando uma participação ampla para maximizar o impacto positivo na economia.
As declarações foram feitas durante entrevista ao Grupo Cidade de Comunicação, no Ceará, refletindo a preocupação do governo com a inflação e o impacto no bolso dos brasileiros, especialmente em um ano eleitoral onde o presidente busca a reeleição.
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Fonte: G1