O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou uma nova estratégia de comunicação diante da ameaça de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Diferentemente de 2025, quando suas manifestações associaram as sanções americanas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e a decisões envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, agora o foco se volta para críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A mudança de discurso ocorre em meio à avaliação de aliados de que a crise diplomática de 2025 acabou por fortalecer politicamente o presidente Lula. Naquela ocasião, o petista conseguiu se apresentar como o principal defensor da soberania nacional diante das pressões americanas, capitalizando em um momento de forte rejeição ao seu governo.
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A pré-campanha de Flávio Bolsonaro busca evitar que um cenário semelhante se repita em 2027. A preocupação é impedir que Lula novamente se beneficie de uma crise internacional, utilizando o discurso da defesa da soberania nacional.
Após as primeiras notícias sobre as possíveis novas tarifas americanas, Flávio Bolsonaro afirmou ter solicitado diretamente ao então presidente Donald Trump que não impusesse as taxas sobre empresas brasileiras. Posteriormente, enviou uma carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendendo a não adoção das medidas.
O senador também passou a argumentar que um eventual governo seu em 2027 teria condições de negociar com os Estados Unidos em uma posição de igualdade, buscando fortalecer a imagem de liderança e capacidade de negociação.
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Essa abordagem contrasta significativamente com a estratégia adotada em julho de 2025, quando Donald Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros. Naquele período, Flávio Bolsonaro frequentemente ligava as sanções à situação política interna do Brasil e às decisões do STF.
À época, o senador chegou a divulgar um vídeo em que chamava as tarifas de “taxa Alexandre de Moraes” e pediu a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras. Em outra publicação, escreveu: “Obrigado presidente Donald Trump. Faça o Brasil Livre Novamente. Queremos Magnitsky”.
Flávio Bolsonaro também sustentava que as tarifas não eram resultado de uma disputa comercial, mas sim uma resposta à situação de Jair Bolsonaro. Ele chegou a afirmar que “Se Bolsonaro estivesse na mesa de negociação, a situação seria outra”.
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A interpretação bolsonarista era de que as medidas de Trump representavam uma reação ao STF e ao tratamento dado a Bolsonaro e outros nomes da direita brasileira. A ideia ganhou força com declarações do próprio Trump, que comparou o julgamento de Bolsonaro a uma “caça às bruxas”.
Naquele contexto, críticas ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes ocuparam espaço central nas manifestações de Flávio e outros aliados. A condenação de Bolsonaro pelo Supremo em setembro de 2025, no entanto, encerrou as expectativas de que a pressão externa pudesse influenciar o processo.
Atualmente, a avaliação dentro da oposição é diferente. A orientação é concentrar o debate na responsabilidade do governo Lula pela deterioração das relações com Washington.
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Foco na soberania nacional
A principal preocupação dos aliados de Flávio Bolsonaro é impedir que o presidente Lula monopolize novamente a bandeira da soberania nacional. Esse discurso, que ganhou força na crise de 2025, é visto como um fator de ganho político para o PT.
Em falas recentes, Flávio tem buscado se apropriar dessa pauta, incluindo a “soberania” em seus discursos públicos. Ele tem evitado mencionar Alexandre de Moraes ou defender sanções contra autoridades brasileiras.
Em vez disso, o senador tem argumentado que empresários nacionais já enfrentam alta carga tributária e criticado a condução da política externa por Lula. Ele sustenta que os Estados Unidos não precisariam recorrer a tarifas para negociar com o Brasil caso ele fosse eleito presidente.
Em um vídeo divulgado recentemente, Flávio afirmou ter pedido a Donald Trump que não taxasse empresas brasileiras. Ele reforçou que, a partir de janeiro de 2027, o Brasil teria um presidente capaz de negociar “de igual para igual” com os EUA, buscando acordos benéficos para ambas as nações.
Fonte: G1