A disputa pela presidência do Peru segue em suspense, com os candidatos Keiko Fujimori, da Força Popular, e Roberto Sánchez, da Juntos pelo Peru, em uma acirrada batalha voto a voto. Com mais de 98,5% das urnas apuradas, a diferença entre os dois é inferior a um ponto percentual, refletindo a polarização política no país andino.
Apuração Lenta e Variações na Liderança
A apuração, iniciada no domingo, 7 de novembro, tem sido marcada por constantes mudanças na liderança. Inicialmente, Keiko Fujimori abriu uma vantagem de cinco pontos percentuais, segundo os primeiros dados divulgados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). No entanto, à medida que a contagem avançava, essa diferença diminuiu drasticamente.
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Por volta das 7h de segunda-feira, 8 de novembro, Fujimori mantinha menos de um ponto de vantagem. A virada aconteceu no mesmo dia, quando Roberto Sánchez ultrapassou a candidata da Força Popular. A reviravolta, contudo, foi temporária, e Keiko Fujimori retomou a liderança na noite de quarta-feira, 10 de novembro, mantendo uma margem mínima.
Resultados Parciais e Votos Pendentes
Às 1h da madrugada deste domingo, 14 de novembro, a diferença entre os candidatos era de pouco mais de 18 mil votos. Dados oficiais do ONPE, com 98,46% das urnas apuradas, indicavam 50,051% para Keiko Fujimori e 49,949% para Roberto Sánchez.
Considerando os votos de peruanos no exterior, a apuração total atingia 98,3%, com Fujimori somando 50,012% contra 49,988% de Sánchez. No exterior, Fujimori obtinha uma vantagem mais expressiva, com 63,387% dos votos.
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Regiões com Votação Pendente e Desafios Logísticos
Ainda há votos pendentes de computação em regiões específicas dentro do Peru, como Ayacucho, Cusco, Loreto, Madre de Dios e Ucayali. Em outras localidades, a contagem foi finalizada, mas a soma total não atinge 100% devido ao envio de parte das cédulas para análise da Justiça Eleitoral.
No total, cerca de 0,523% dos votos ainda aguardam apuração. A autoridade eleitoral peruana alertou que a divulgação do resultado final pode levar dias, considerando que a votação no país é realizada com cédulas de papel, um processo que demanda mais tempo para tabulação.
Contexto Político e Histórico das Eleições Peruanas
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, disputa a presidência pela quarta vez, buscando superar as derrotas anteriores nos segundos turnos de 2011, 2016 e 2021. Sua legenda, Força Popular, foi fundada em 2008 para consolidar a corrente fujimorista. No primeiro turno das eleições de 2026, Keiko obteve 17,2% dos votos válidos.
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Roberto Sánchez, deputado pelo Juntos pelo Peru, alcançou o segundo turno com 12% dos votos no primeiro turno. Sua base de apoio concentra-se majoritariamente em zonas rurais e áreas afastadas dos centros urbanos.
As eleições deste ano ocorreram em um cenário de instabilidade política crônica no Peru, que registrou nove presidentes em dez anos, um reflexo da fragilidade das instituições democráticas. Pesquisas recentes indicam que 90% dos peruanos expressam pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso Nacional, com apenas 10% satisfeitos com a democracia no país.
A eleição de 2026 foi marcada por um recorde de 35 candidatos à presidência no primeiro turno, evidenciando a fragmentação do cenário político peruano e a busca por novas alternativas em meio à desconfiança generalizada.
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Fonte: G1