O governo cubano declarou categoricamente, nesta sexta-feira (20), que não há espaço para negociações sobre seu sistema político interno ou sobre o mandato do presidente Miguel Díaz-Canel com os Estados Unidos.
A posição firme foi expressa pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, em entrevista a jornalistas, conforme reportado pela agência Reuters.
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“Posso confirmar categoricamente que o sistema político de Cuba não está em negociação e, é claro, nem o presidente nem o cargo de qualquer autoridade em Cuba está sujeito a negociação com os Estados Unidos”, afirmou Cossío, que lidera o escritório de relações com os EUA no Ministério das Relações Exteriores cubano.
A declaração responde a informações veiculadas por veículos norte-americanos, como USA Today e New York Times, que sugerem a intenção de Washington de incluir a eventual saída do líder cubano e reformas políticas na ilha como parte de um acordo bilateral.
Miguel Díaz-Canel, 65 anos, ocupa a presidência de Cuba e também lidera o Partido Comunista, com mandatos que se estendem por mais alguns anos.
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Crise energética agrava cenário para conversas
O reconhecimento oficial de que conversas bilaterais com os Estados Unidos foram iniciadas ocorreu em 13 de março.
Essas negociações acontecem em um momento de severa crise energética em Cuba, intensificada pelo bloqueio de petróleo imposto pela administração do ex-presidente Donald Trump.
A situação econômica da ilha tem sido paralisada pela falta de combustível, especialmente após os EUA terem interrompido o fornecimento de petróleo venezuelano, que era o principal parceiro de Cuba nesse quesito.
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O governo dos EUA também tem ameaçado impor sanções a outros países que forneçam combustível a Cuba, aumentando o isolamento econômico do país caribenho.
Posicionamento dos EUA e cenário geopolítico
A administração republicana classifica Cuba como uma “ameaça excepcional”, citando as relações da ilha com nações como Rússia, China e Irã.
O interesse de Washington em promover uma mudança de regime em Havana é declarado, com ameaças de consequências caso o governo cubano não aceite negociar sob seus termos.
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A recusa de Cuba em discutir a sua estrutura de poder e a liderança do país demonstra a determinação de Havana em manter sua soberania e autodeterminação frente às pressões externas.
Fonte: Reuters