Perda Alarmante na Distribuição de Água em Belo Horizonte
Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais e um dos principais centros urbanos do Brasil, figura entre os municípios mais problemáticos no que diz respeito à perda de água na distribuição. O Ranking do Saneamento 2026, divulgado recentemente pelo Instituto Trata Brasil, colocou a cidade na 98ª posição nacional entre os 100 municípios mais populosos, com um índice de perda de 68,29%. Este dado alarmante posiciona BH como a terceira cidade da lista com o maior percentual de desperdício hídrico, superando a média nacional de 39,5%.
Contexto Nacional e Metas para o Saneamento
A análise, baseada em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (Sinisa) referentes a 2024, revela um cenário desafiador para o setor. A meta federal é reduzir as perdas para 25% até 2034, um objetivo que Belo Horizonte está distante de alcançar. O indicador avalia a diferença entre a água produzida e a efetivamente consumida, considerando vazamentos (perdas físicas) e fraudes ou erros de medição (perdas comerciais).
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Outras Cidades Mineiras no Radar
A Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, da qual Belo Horizonte faz parte, também inclui Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana, na lista dos 10 piores. O município aparece na 92ª posição com 55,68% de perda. O Instituto Trata Brasil destaca que a situação de BH é particularmente preocupante, com um aumento de quase 27 pontos percentuais em relação ao ranking anterior, quando o índice era de 41,63%.
Desempenho de Minas Gerais no Ranking Geral
No ranking geral de saneamento, que abrange três dimensões (atendimento, melhoria e eficiência), Minas Gerais apresenta um quadro misto. Uberaba (11º) e Montes Claros (14º) estão entre os 20 municípios mais bem colocados do país. Uberlândia figura na 21ª posição. Contudo, cidades como Betim, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Contagem e Ribeirão das Neves estão posicionadas abaixo da 50ª colocação, indicando a necessidade de avanços significativos em suas infraestruturas de saneamento básico.
Desafios Específicos em Minas Gerais
A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Siewert Pretto, aponta que Minas Gerais precisa priorizar a redução de perdas de água e a expansão do tratamento de esgoto. Em Betim, o acesso à água tratada ainda precisa ser ampliado para atingir a meta de 99% até 2033. Ribeirão das Neves e Contagem enfrentam desafios na coleta de esgoto, enquanto Juiz de Fora apresenta um índice de tratamento de esgoto de apenas 25%, necessitando de investimentos urgentes para alcançar os patamares nacionais.
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Investimento em Saneamento Abaixo da Média
Um ponto de atenção levantado pelo estudo é o investimento em saneamento básico em Minas Gerais, que, em geral, está abaixo da média nacional. Apenas Montes Claros se destaca por investir acima da média. A falta de investimento adequado compromete a universalização dos serviços e a melhoria da qualidade de vida da população mineira, exigindo ações contínuas do poder público e dos operadores.
Fonte: Estado de Minas