O Banco Master transferiu R$ 27,2 milhões ao site Metrópoles, comandado pelo ex-senador Luiz Estevão, entre o final de 2024 e o início de 2025. A informação, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, baseia-se em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Os recursos foram destinados à empresa Metrópoles Marketing e Propaganda LTDA e estão sob análise devido a movimentações consideradas atípicas para o porte da companhia.
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Luiz Estevão afirmou ao Estadão que os valores se referem ao patrocínio do Will Bank, à época ligado ao Master, para a Série D do Campeonato Brasileiro de 2025, além da comercialização dos direitos de nome do torneio. O ex-senador declarou que a gestão dos fundos recebidos é responsabilidade exclusiva da empresa e negou irregularidades nas transferências para firmas controladas por sua família.
Cronologia e suspeitas de patrocínio
O Coaf destacou que os pagamentos iniciaram em janeiro de 2025, mas a logomarca do Will Bank só apareceu nas transmissões três meses após o começo do campeonato. A Série D começou em 19 de abril de 2025, e o acordo de transmissão entre Metrópoles e CBF só foi anunciado em julho.
As primeiras partidas com transmissão gratuita ocorreram em 5 e 6 de julho, na 11ª rodada. O campeonato passou a ser chamado de “Brasileirão Série D Will Bank” após a negociação dos naming rights, uma novidade para a CBF na Série D. Contudo, a logomarca só foi visível nas placas de campo a partir de 26 de julho, na 14ª rodada, mais de três meses após o início da competição.
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Contexto de turbulência no Banco Master
O período das transferências coincidiu com momentos de instabilidade no Banco Master. Em março de 2025, Daniel Vorcaro, proprietário da instituição, tentou negociar a venda do banco ao BRB. Posteriormente, o banco enfrentou investigações por supostas fraudes financeiras.
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Master. Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal.
Análise do Coaf e justificativas
O Coaf justificou a comunicação ao identificar movimentações financeiras incompatíveis com o faturamento médio mensal do Metrópoles. O órgão também apontou transferências consideradas incomuns e indícios de operações em benefício de terceiros, incluindo pessoas politicamente expostas.
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Luiz Estevão refutou as suspeitas de superfaturamento. Ele alegou que, devido à liquidação do Master, parte dos pagamentos não foi efetuada. “O valor foi maior. Eles não pagaram tudo. Ainda estão devendo dinheiro e estamos atrás de receber”, declarou.
O ex-senador também defendeu a legalidade dos valores, afirmando que “o valor não está nada fora. E ainda temos que comprar os direitos da CBF, que não disponibiliza gratuitamente, não.”
Fonte: O Estado de S. Paulo
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