Associações policiais rebatem Lula e defendem delegacias após declaração sobre "medo" em devolução de celulares

Associações policiais rebatem Lula e defendem delegacias após declaração sobre “medo” em devolução de celulares

Entidades representativas de policiais civis reagiram com críticas à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a apreensão de parte da população em devolver celulares roubados em delegacias por receio do atendimento. A fala de Lula ocorreu na última quarta-feira (10.jun.2026), durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social […]

Resumo

Entidades representativas de policiais civis reagiram com críticas à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a apreensão de parte da população em devolver celulares roubados em delegacias por receio do atendimento.

A fala de Lula ocorreu na última quarta-feira (10.jun.2026), durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável. Na ocasião, o presidente apresentou uma proposta do governo federal para aumentar a recuperação de celulares roubados ou furtados, que prevê o envio de notificações aos aparelhos com registro de roubo para incentivar sua devolução.

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Uma das sugestões do plano é que os celulares possam ser entregues em agências dos Correios. Ao defender a medida, Lula justificou que parte da população se sente insegura em procurar delegacias para realizar a devolução dos aparelhos.

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“Eu vou efetivamente despachar o sinalzinho para quem tiver com o telefone roubado devolver, porque senão pode ter consequências. A dúvida é que eu não quero devolver na delegacia, eu quero devolver no correio. Na delegacia, as pessoas têm até medo, porque não sabem o tipo de delegado que vão encontrar ou o tipo de policial”, declarou o presidente.

Repercussão e Críticas de Entidades Policiais

A declaração do presidente gerou forte reação em associações ligadas à Polícia Civil. O Sindesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) criticou a fala e manifestou apoio à nota divulgada pela Adepol.

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Segundo o Sindesp, delegados e policiais civis desempenham um papel fundamental na investigação criminal, na recuperação de bens subtraídos e na proteção da sociedade, desmentindo a percepção de insegurança alegada por Lula.

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A Adepol (Associação dos Delegados de Polícia do Brasil) classificou a fala do presidente como “inadequada, injusta e descontextualizada”. A entidade ressaltou que a manifestação transmite à sociedade uma percepção equivocada sobre o trabalho realizado nas delegacias.

Posicionamento da Frente Parlamentar e Outras Entidades

O debate sobre a segurança pública e o atendimento em delegacias também alcançou o Congresso Nacional. O presidente da Frente Parlamentar da Segurança Pública, deputado Alberto Fraga (PL-DF), afirmou que Lula lançou suspeitas injustificadas sobre o trabalho das Polícias Civis.

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Para Fraga, a declaração do presidente atinge a credibilidade dos profissionais da área e pode desmotivar o trabalho policial, sem apresentar soluções concretas para os problemas de segurança.

Em Pernambuco, o Sinpol-PE (Sindicato dos Policiais Civis) declarou que Lula demonstrou desconhecimento sobre a complexidade da segurança pública. A entidade defendeu a formulação de políticas públicas baseadas em critérios técnicos e no fortalecimento das instituições policiais, em vez de generalizações.

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A Cobrapol (Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis) também se manifestou, declarando apoio a iniciativas voltadas ao combate ao mercado ilegal de celulares. Contudo, a confederação criticou generalizações que, segundo a entidade, podem gerar interpretações equivocadas sobre a atuação das Polícias Civis e de seus profissionais.

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Lula também comentou no mesmo discurso que pessoas de maior renda não costumam comprar celulares roubados, enquanto consumidores de menor poder aquisitivo podem ser atraídos pelos preços reduzidos dos aparelhos comercializados ilegalmente, o que também gerou debates sobre o perfil do consumidor de produtos ilícitos.

Fonte: G1

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