Lula promete anular leilão de gás de cozinha e expõe crise na Petrobras

Lula promete anular leilão de gás de cozinha e expõe crise na Petrobras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu nesta sexta-feira (3) anular o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, realizado pela Petrobras no último dia 31. A decisão, que gerou um aumento de mais de 100% no preço em alguns polos, foi duramente criticada pelo presidente, que a classificou como […]

Resumo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu nesta sexta-feira (3) anular o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, realizado pela Petrobras no último dia 31. A decisão, que gerou um aumento de mais de 100% no preço em alguns polos, foi duramente criticada pelo presidente, que a classificou como “cretinice” e “bandidagem”. A fala de Lula expõe um grave impasse político e operacional na estatal e um choque direto entre a orientação do Palácio do Planalto e a execução comercial da empresa.

Em entrevista à TV Record da Bahia, Lula afirmou que o governo tentará reverter o leilão, mesmo após sua conclusão e o início das entregas com os novos valores. “Vamos rever esse leilão, vamos anular esse leilão. O povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, declarou o presidente, demonstrando preocupação com o impacto social da medida.

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A alta de preços do GLP, que estava congelado desde novembro de 2024, é vista pelo governo como uma contradição direta à diretriz de proteger a população de baixa renda dos efeitos da escalada internacional dos combustíveis, exacerbada pela guerra no Oriente Médio. O GLP, assim como o óleo diesel, tem parte de seu consumo atrelado a importações, o que o torna sensível às flutuações do mercado global.

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Crise e impasses na Petrobras

O leilão, que durou mais de seis horas, registrou casos expressivos de aumento, como no polo de Duque de Caxias (RJ), onde o preço do gás de cozinha saltou de R$ 33,37 para R$ 72,77, um ágio de 117% sobre o valor de referência. Essa disparada pressiona diretamente políticas públicas de proteção social, como o programa Gás do Povo, e exige uma revisão do preço de referência da iniciativa, ampliando o desgaste para a administração federal.

O episódio também revelou falhas de comunicação entre a Petrobras e a Casa Civil. Segundo apurou o jornal “Estado de S. Paulo”, o leilão já havia sido adiado duas vezes, mas a Casa Civil não foi informada sobre as remarcações e defendia o cancelamento da operação.

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A intenção inicial do governo era estruturar uma subvenção para amortecer o impacto da alta do GLP antes do leilão. Contudo, o reajuste de 54% no querosene de aviação (QAV), anunciado pela estatal na quarta-feira, alterou as prioridades e impediu que a compensação para o gás de cozinha fosse preparada a tempo.

Reações nos bastidores e próximos passos

Nos bastidores do governo, a notícia do leilão em andamento gerou reações duras, com expressões como “desobediência”, “traição” e a previsão de que “cabeças vão rolar”. A gravidade das palavras indica que a crise transcendeu o campo técnico e passou a ser tratada como um ato de insubordinação à orientação política federal.

Até o momento, a Petrobras não se manifestou sobre a crise. O silêncio da empresa intensifica a sensação de descompasso em um momento em que o governo Lula busca reforçar o papel social da companhia e alinhar sua política comercial a objetivos de interesse público.

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O volume de GLP vendido no leilão corresponde a cerca de 12% do que a Petrobras comercializa mensalmente. A solução mais provável para reduzir os danos seria uma subvenção retroativa, mas essa alternativa enfrenta resistência das distribuidoras e dependerá de regulamentação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) limitou-se a afirmar que os preços do petróleo e seus derivados sofrem forte pressão devido a conflitos globais, o que pode influenciar os custos do GLP. A declaração reforça a explicação sobre fatores externos, mas o cerne da crise reside na condução interna da decisão.

O caso se configura como um teste político para o governo Lula e um desafio para a diretoria da Petrobras, reacendendo o debate sobre o controle da política de preços e comercialização da estatal em um cenário de alta volatilidade e pressão inflacionária.

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Fonte: 247

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