O senador Rodrigo Pacheco (MG), ex-presidente do Congresso Nacional, oficializou sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) na noite desta quarta-feira (1º de abril de 2026), em Brasília. A mudança partidária marca sua saída do PSD e o posiciona como pré-candidato ao governo de Minas Gerais, com o objetivo de fortalecer a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado.
Críticas ao Governo Zema e Plano de “Reconstrução”
Em seu discurso de filiação, Pacheco dirigiu críticas contundentes à gestão do governador Romeu Zema (Novo) em Minas Gerais. Ele defendeu a necessidade de uma profunda “reconstrução” do estado, prometendo um novo rumo para o progresso e desenvolvimento mineiro.
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“O PSB estará participando dessa discussão para encontrarmos para Minas Gerais um caminho diferente do atual. Um caminho que seja de progresso, de desenvolvimento, de reconstrução, de valorização de servidores, de busca de rompimento dessa lógica do sucateamento da máquina pública como existe hoje no Estado de Minas Gerais”, declarou o senador durante a solenidade.
Responsabilidade Fiscal como Pilar
Pacheco ressaltou a importância da responsabilidade fiscal como base para o desenvolvimento humano e social. Segundo ele, o PSB deve adotar essa premissa para garantir a entrega de políticas públicas eficazes, especialmente para as populações mais vulneráveis.
“Não há nem desenvolvimento humano nem desenvolvimento social se não houver responsabilidade fiscal. Se nós não fizermos conta do erário público para dar conta das políticas públicas sociais que nós queremos entregar, sobretudo, para as pessoas mais pobres do país. Essa lógica é indispensável”, argumentou.
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O senador apresentou dados alarmantes sobre a situação financeira de Minas Gerais, destacando a dívida bilionária com a União e o endividamento estadual. “Estamos falando de um Estado com 853 municípios, com mais de 21 milhões de pessoas, que tem uma dívida de R$ 200 bilhões com a União Federal, R$ 185 bilhões de endividamento e onde há tudo por fazer”, alertou.
Candidatura ao Governo: Discussão na Base
Apesar de ser o nome mais cotado para a disputa pelo governo mineiro, Pacheco evitou cravar sua candidatura, afirmando que a definição ocorrerá no momento da convenção partidária. Ele defende que a decisão deve emanar das bases políticas e sociais do estado, envolvendo prefeitos, vereadores e a sociedade civil.
“Quero dizer que uma eventual candidatura do PSB ou de qualquer outro partido não pode nascer do alinhamento em Brasília de líderes partidários. Isso deve nascer de uma vontade muito genuína que venha da base social e da base política de cada um desses partidos”, explicou.
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PSB: História e Compromisso Democrático
Ao justificar sua filiação, Pacheco enalteceu a trajetória do PSB, destacando seus 80 anos de existência e sua atuação na defesa das causas democráticas e civilizatórias do Brasil. Ele relembrou uma tentativa anterior de filiação em 2017.
“É um partido que tem história, uma história muito longa, de 8 décadas de existência, e uma existência em defesa de causas que se confundem com o próprio processo de consolidação democrática e civilizatória do Brasil”, afirmou.
Presença de Lideranças Nacionais e Estaduais
A cerimônia de filiação contou com a presença de importantes lideranças do PSB, como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente nacional do partido e prefeito do Recife, João Campos. Também estiveram presentes Márcio França (ministro do Empreendedorismo), Otacílio Neto (presidente do PSB em MG e prefeito de Conceição do Mato Dentro), Carlos Siqueira (presidente da Fundação João Mangabeira) e Rodrigo Rollemberg (deputado federal e ex-governador do DF).
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A filiação de Pacheco ao PSB foi resultado de semanas de negociações, incluindo um jantar com João Campos em Brasília na semana anterior. O senador ponderou a decisão, considerando também conversas com MDB e União Brasil, antes do encerramento da janela partidária.
Pandemia, 8 de Janeiro e Defesa da Democracia
Pacheco também fez um balanço de seu período à frente do Congresso Nacional (2021-2025), mencionando os desafios da pandemia de Covid-19 e os eventos de 8 de janeiro. Ele alertou para os riscos do “negacionismo” e ressaltou o custo de defender a democracia.
“Num momento também agudo, de busca por alguns minoritários, insatisfeitos com o resultado eleitoral, pretendiam a ruptura democrática, institucional no nosso país. De novo, o PSB se colocava de maneira responsável, patriótica, a partir do verdadeiro patriotismo ao lado daqueles que defendiam a democracia brasileira. Tenho muito orgulho de dizer que essa passou a ser minha causa de vida, de defender a democracia no nosso país”, declarou.
Diálogo com Aécio Neves e Articulação Política
Em entrevista após a filiação, Rodrigo Pacheco confirmou manter diálogo com o deputado federal Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, com quem possui uma relação política consolidada em Minas Gerais e no parlamento.
“Conversei com o presidente do PSDB, Aécio Neves, hoje, com quem eu tenho muita, muito boa relação. É uma relação política de Minas Gerais e também no parlamento e nós temos conversado política como eu tenho conversado política com outros tantos agentes políticos de Minas Gerais”, disse.
Proximidade com o Governo Federal para Minas
Pacheco defendeu a importância da proximidade entre o governo estadual e o Executivo federal, criticando a falta de diálogo entre Minas Gerais e o governo Lula nos últimos anos. Ele ressaltou a dependência do estado em relação a parcerias com a União.
“Considero muito importante que a construção civilizada de alianças políticas se dê em Minas Gerais, sobretudo numa aliança que, infelizmente, Minas não conseguiu ter nos últimos anos, que é entre o governo do Estado de Minas e o governo federal. A perspectiva da sucessão e da reeleição do presidente Lula exige que essa composição democrática em Minas passe também por um diálogo com o presidente Lula e com o presidente Alckmin para que possam assumir os compromissos com Minas Gerais, as realizações que estão pendentes”, concluiu.
Fonte: G1
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