O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci, utilizaram jatos executivos em pelo menos oito ocasiões entre maio e outubro de 2025. As aeronaves estão ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
A informação foi obtida a partir do cruzamento de dados de registros de embarque no terminal executivo do Aeroporto de Brasília, informações de decolagens do Departamento de Controle do Espaço Aéreo e dados do Registro Aeronáutico Brasileiro.
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Voos em aeronaves da Prime Aviation
Sete dos oito deslocamentos foram realizados em aviões operados pela Prime Aviation. Vorcaro era sócio da empresa por meio de um fundo patrimonial. A companhia detém licença para operar serviços de táxi aéreo.
Um dos voos, em 7 de agosto de 2025, ocorreu em um jato Falcon 2000 registrado em nome de uma empresa associada a uma sociedade que inclui o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Zettel foi alvo de operação da Polícia Federal e negocia acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.
Trajetos e passageiros
Os registros detalham uma série de viagens com origem em Brasília, a maioria com destino a aeroportos executivos em São Paulo. Em algumas viagens, o ministro embarcou apenas com a esposa; em outras, havia poucos passageiros adicionais. Há também um voo em que Moraes viajou sem Viviane.
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Procurado, o ministro Alexandre de Moraes não se manifestou sobre o assunto.
Posicionamento da defesa e da empresa
O escritório de advocacia de Viviane Barci informou que contrata regularmente serviços de táxi aéreo, incluindo a Prime Aviation em algumas oportunidades. Segundo a defesa, não há relação pessoal com os proprietários das aeronaves e os voos seguem critérios operacionais, com pagamentos realizados conforme contratos advocatícios.
A Prime Aviation declarou que não divulga informações sobre usuários de suas aeronaves, citando cláusulas de confidencialidade e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
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A defesa de Daniel Vorcaro informou que não comentaria o caso. O advogado de Fabiano Zettel não respondeu aos contatos.
Relação contratual com Banco Master
O episódio também ocorre em um contexto de relação contratual entre o escritório de Viviane Barci e o Banco Master. Em 2024, foi firmado um acordo que previa honorários mensais milionários ao longo de três anos, totalizando cerca de R$ 130 milhões. O contrato foi encerrado em novembro de 2025, após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Na época, Daniel Vorcaro era o controlador da instituição financeira.
Fonte: Folha de S.Paulo
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