Pressão fiscal e ano eleitoral
O governo federal estuda a possibilidade de flexibilizar a meta fiscal das empresas estatais em 2026. A medida visa acomodar os custos do plano de reestruturação dos Correios, que acumulam um déficit expressivo. Internamente, a avaliação é que, sem essa flexibilização, o Executivo teria que repetir em pleno ano eleitoral as manobras de bloqueio de despesas, como ocorreu em 2025 para compensar déficits maiores em outras estatais.
Pacote de socorro aos Correios
O principal motor dessa discussão é o plano de socorro aos Correios. A estatal obteve um empréstimo de R$ 20 bilhões com bancos públicos e privados para financiar um amplo programa de reorganização. Este programa inclui medidas como demissões voluntárias, regularização de pagamentos atrasados, quitação de dívidas e modernização operacional. Embora o empréstimo seja contabilizado como receita financeira e não afete diretamente a meta fiscal, as despesas decorrentes dele são classificadas como primárias, o que aumenta a pressão sobre o resultado das estatais.
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Metas fiscais em xeque
O Plano de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026, enviado ao Congresso em abril, previa um déficit de até R$ 6,75 bilhões para as estatais, além de R$ 5 bilhões para investimentos do PAC. No entanto, interlocutores do governo indicam que este valor pode não ser suficiente para cobrir os custos do plano de sustentabilidade dos Correios. A tendência é que o limite de déficit seja elevado, desde que a empresa apresente um cronograma claro e compromisso com as medidas de reestruturação.
Divisões internas e receio do mercado
A flexibilização da meta fiscal das estatais não é um consenso dentro do governo. Uma parte da gestão teme o impacto negativo na percepção dos investidores, especialmente em relação ao efeito sobre a dívida pública. Apesar de a meta das estatais ser calculada separadamente, um déficit maior pode pressionar o indicador geral, em um momento em que o governo busca demonstrar compromisso com o novo arcabouço fiscal. Para 2026, a meta do governo central é um superávit de 0,25% do PIB, com margem para déficit zero.