O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou veementemente os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) – Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido – ao afirmar que o grupo age como se fosse o “dono do mundo”.
A declaração foi feita nesta quarta-feira (18.mar.2026), durante o 3º Prêmio Mulheres das Águas. Lula direcionou suas críticas, em particular, ao ataque dos Estados Unidos ao Irã, iniciado em 28 de fevereiro, argumentando que tais ações geram instabilidade e impactam diretamente a economia global, especialmente o preço do petróleo.
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“Eles decidiram que são os donos do mundo e resolveram atacar quem eles quiserem”, disse o presidente, ressaltando que o Brasil e outros países acabam pagando o preço pela “irresponsabilidade” dessas nações.
Lula também direcionou críticas específicas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cujas ações no Oriente Médio, segundo o petista, foram responsáveis pela disparada dos preços do barril de petróleo no mercado internacional, chegando a ultrapassar a marca de US$ 100.
O presidente brasileiro apontou a Rússia como uma das beneficiárias diretas do aumento do preço do petróleo, uma vez que o país intensificou suas vendas, inclusive para os próprios Estados Unidos, que autorizaram a compra de petróleo russo retido no mar após a escalada de preços.
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Lula lamentou que as maiores vítimas dessa conjuntura sejam os trabalhadores e a população mais pobre. “Toda a desgraça causada pelos ricos arrebenta nas costas das pessoas que não tem nada a ver com isso”, declarou.
O chefe do Executivo também comentou a isenção do PIS/Cofins anunciada pelo governo em 12 de março, indicando que a medida é uma resposta a aproveitadores. “Quando as pessoas não prestam, não tem jeito”, afirmou, referindo-se àqueles que se beneficiam de situações de crise para aumentar preços, como os da gasolina e do álcool.
O Conselho de Segurança da ONU, um dos principais órgãos da organização, é composto por 15 membros, sendo cinco permanentes com poder de veto (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) e dez não permanentes eleitos para mandatos de dois anos. A estrutura, herdada do pós-Segunda Guerra Mundial, é frequentemente alvo de críticas pela falta de representatividade e pelo poder concentrado nas mãos dos membros permanentes.
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A fala de Lula ecoa debates globais sobre a necessidade de reforma do Conselho de Segurança, com o objetivo de torná-lo mais democrático e representativo do cenário geopolítico atual, que difere significativamente do contexto em que o órgão foi criado.
Fonte: g1.globo.com