Advogado flagrado com viatura da PCMG em BH é solto; caso pode não ser crime, dizem especialistas

Advogado flagrado com viatura da PCMG em BH é solto; caso pode não ser crime, dizem especialistas

Um advogado flagrado dirigindo uma viatura descaracterizada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em Belo Horizonte foi liberado pela Justiça um dia após sua prisão. A delegada, esposa do advogado e responsável pelo veículo oficial, também foi solta. O caso, que gerou repercussão na capital mineira, levanta discussões sobre a tipificação penal da conduta. […]

Resumo

Um advogado flagrado dirigindo uma viatura descaracterizada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em Belo Horizonte foi liberado pela Justiça um dia após sua prisão. A delegada, esposa do advogado e responsável pelo veículo oficial, também foi solta. O caso, que gerou repercussão na capital mineira, levanta discussões sobre a tipificação penal da conduta.

Renan Rachid Silva Vieira foi abordado por policiais civis na terça-feira (10) enquanto conduzia o carro oficial em uma pista exclusiva na Avenida Antônio Carlos, região da Pampulha. A delegada Wanessa Santana Martins Vieira, esposa dele e vinculada ao veículo, também foi levada para prestar esclarecimentos à Corregedoria da Polícia Civil.

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Liberdade Condicional e Fiança

Na quarta-feira (11), a Justiça determinou a soltura do casal mediante o pagamento de fiança. Cada um precisou desembolsar o equivalente a três salários mínimos e meio, totalizando R$ 5.673,50. A decisão considerou a primariedade dos investigados.

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Além da fiança, medidas cautelares foram impostas. O casal não poderá se ausentar das comarcas de Belo Horizonte e Lagoa Santa por mais de 30 dias sem autorização judicial. Eles também devem manter seus endereços atualizados e comparecer sempre que convocados para atos da investigação.

Investigação Iniciada por Denúncias Anônimas

A investigação que levou à abordagem teve início em fevereiro deste ano, após o recebimento de denúncias anônimas. As informações apontavam que o advogado estaria utilizando a viatura da Polícia Civil para realizar deslocamentos particulares pela cidade, situação que se assemelha a flagrantes comuns no trânsito caótico de Belo Horizonte.

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Com base nas denúncias, policiais civis organizaram uma blitz na pista exclusiva da Avenida Antônio Carlos. Durante a operação, os agentes identificaram um veículo com as características descritas pelos denunciantes.

Abordagem e Identificação

Ao ser abordado, o condutor apresentou sua carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). No entanto, os policiais confirmaram que o carro pertencia à frota oficial da PCMG e que o motorista não era servidor público, levantando suspeitas sobre o uso do bem estatal.

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Após a abordagem, a delegada responsável pelo veículo foi localizada e encaminhada à Corregedoria para prestar os devidos esclarecimentos sobre a situação.

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Peculato-Uso: Ausência de Crime?

Embora o caso tenha sido inicialmente registrado como peculato-desvio, especialistas em direito penal apontam que a conduta pode ser enquadrada como peculato-uso. Essa modalidade, segundo entendimento jurídico, não é tipificada como crime no Brasil.

O advogado criminalista Paulo Crosara explicou que o crime de peculato-desvio ocorre quando um bem público deixa de pertencer ao Estado para se tornar propriedade de outra pessoa. “O desvio pressupõe que algo foi retirado da propriedade do Estado para se tornar propriedade de alguém. Nesse caso, o carro não deixou de ser bem do Estado”, afirmou Crosara.

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Sanções Administrativas e Disciplinares

Mesmo que a interpretação jurídica afaste a caracterização de crime, o episódio pode acarretar sanções administrativas. O uso indevido de bens públicos é considerado improbidade administrativa e uma infração disciplinar grave.

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Nesses casos, as penalidades podem variar desde advertências e suspensões até a demissão do cargo público e o ressarcimento aos cofres públicos. A investigação administrativa busca apurar a responsabilidade da delegada no uso do veículo oficial.

Veículo Passará por Perícia

O veículo apreendido foi encaminhado para a Diretoria de Transportes da Polícia Civil. O automóvel passará por perícia técnica para verificar possíveis danos ou alterações. A investigação sobre o uso indevido do bem público segue em andamento, com desdobramentos esperados nos âmbitos administrativo e, possivelmente, judicial, dependendo da evolução do entendimento sobre a tipificação da conduta.

Fonte: R7

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