A dor de Jannes Kellen, mãe de Dandhara Kellen, de 18 anos, assassinada em Divinópolis, em setembro de 2025, atravessa gerações e destrói a estrutura familiar. O crime, que chocou a cidade do Centro-Oeste mineiro, é um reflexo alarmante do crescimento da violência contra mulheres em Minas Gerais, com estatísticas que apontam para um cenário de crescente perigo.
Feminicídios em Alta em Minas Gerais
Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) revelam um quadro preocupante. Em 2024, Minas Gerais registrou 248 feminicídios consumados e 169 tentados. No ano seguinte, 2025, foram 177 casos consumados e um aumento alarmante para 207 tentativas. Em Divinópolis, a situação é ainda mais crítica: entre 2019 e 2025, os feminicídios consumados cresceram 300%, e a cidade se tornou a mais perigosa para mulheres dentro da 7ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp).
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A Tragédia Pessoal de Dandhara
Dandhara Kellen foi encontrada morta em um matagal após uma emboscada. O principal suspeito é um adolescente de 17 anos com quem ela mantinha um relacionamento conturbado. A jovem foi estrangulada, em um crime que Jannes Kellen descreve como uma armadilha. “Ele chamou ela. Tudo indica que tentou simular um suicídio. Minha filha estava nua e com a corda do macaquinho que usava no pescoço”, relata a mãe, visivelmente abalada.
O Eco do Trauma na Família
A perda de Dandhara deixou um vazio imensurável. A casa ficou silenciosa, e a rotina da família foi alterada drasticamente. O irmão mais novo de Dandhara, João Henrique, de 12 anos, passou a apresentar dificuldades de atenção na escola e precisou de acompanhamento psicológico. A avó da jovem, com quem Dandhara morava desde pequena, está traumatizada e com medo. “Eu e toda minha família fomos destruídos, fomos devastados”, desabafa Jannes.
Cultura de Violência e Medo
Jannes Kellen, que trabalha com vigilância armada, retornou ao trabalho 20 dias após o crime, buscando manter a sanidade. Ela lembra que o suspeito já havia agredido Dandhara anteriormente e que a filha, que perdeu o pai assassinado aos 9 anos, parecia desenvolver uma dependência emocional. A mãe agora vive com medo, instalou câmeras em casa e reforça a necessidade de as mulheres se priorizarem. “Se priorizem. Não adianta pensar que não vai acontecer. Pode acontecer. E quando acontece, destrói tudo.” A psicóloga Marina Saraiva corrobora, afirmando que feminicídios não são surtos, mas sim resultado de uma cultura que naturaliza o controle e a violência contra mulheres. A luta, segundo ela, deve ser contra as estruturas que permitem que essa barbárie se repita.
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Fonte: Estado de Minas