Lulinha se coloca à disposição do STF para esclarecimentos sobre investigação do INSS

Lulinha se coloca à disposição do STF para esclarecimentos sobre investigação do INSS

A defesa de Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, protocolou um pedido formal no Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso integral aos autos do inquérito que investiga supostas irregularidades em descontos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação ocorre após o nome de Lulinha ter sido mencionado por uma testemunha […]

Resumo

A defesa de Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, protocolou um pedido formal no Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso integral aos autos do inquérito que investiga supostas irregularidades em descontos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação ocorre após o nome de Lulinha ter sido mencionado por uma testemunha no contexto da Operação Sem Desconto, que apura fraudes relacionadas a empréstimos consignados.

Segundo a defesa, Lulinha não foi alvo direto da operação nem de medidas restritivas, mas a citação por uma testemunha, que o teria ligado ao lobista Antônio Camilo Antunes, o “careca do INSS”, motivou a busca por transparência. A testemunha alega que Lulinha teria atuado para facilitar negócios no Ministério da Saúde.

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Defesa pede acesso e se coloca à disposição

O advogado Guilherme Suguimori, em nome de Fábio Luiz, informou que seu cliente se disponibilizou a prestar quaisquer esclarecimentos considerados necessários pelo Supremo Tribunal Federal. No entanto, essa disposição está condicionada ao prévio acesso às informações que tramitam em sigilo no inquérito.

A solicitação de acesso aos autos foi formalizada no final de janeiro e aguarda resposta do ministro André Mendonça, relator do caso na Corte. A defesa argumenta que o pedido se faz necessário diante da publicação de matérias com teor acusatório, que teriam isolado trechos do processo sigiloso.

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“Apesar de Fábio Luís não ter sido alvo da operação ‘Sem Desconto’, nem objeto de medidas ou restrições judiciais, entendemos ser necessário pedir ao STF acesso aos autos após a publicação de seguidas matérias de teor acusatório e difamante, contendo trechos isolados do inquérito sigiloso”, afirma a nota da defesa.

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Negação de envolvimento e acordos de delação

Em nota, a defesa de Lulinha reiterou veementemente que ele não possui qualquer ligação com as alegadas fraudes no INSS, não participou de desvios e não recebeu valores provenientes de atividades criminosas. A declaração busca desassociar Lulinha das práticas investigadas.

Paralelamente, a investigação avança com a possibilidade de acordos de delação premiada. Alguns alvos da Operação Sem Desconto estariam em negociação com a Polícia Federal para colaborar com as investigações, em troca de benefícios. Um dos nomes mencionados é o do ex-procurador do INSS, Virgílio Oliveira Filho, preso desde novembro de 2025 e suspeito de envolvimento no esquema de descontos indevidos.

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Citações e áudios em investigação

No final do ano passado, a Polícia Federal informou ao STF sobre citações a Lulinha no inquérito. Em uma representação, a corporação apontou que o filho do presidente, em tese, poderia atuar como sócio oculto do lobista, embora tenha ressalvado a ausência de indícios diretos de envolvimento nas condutas fraudulentas relacionadas aos descontos associativos.

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Investigações anteriores revelaram um áudio em que uma empresária próxima a Lulinha discute com o “careca do INSS” a dispensa de licitação para o fornecimento de medicamentos à base de cannabis ao Ministério da Saúde. Embora o contrato não tenha se concretizado, a PF apura se o lobista buscava expandir sua atuação para outros órgãos públicos.

A empresária em questão, Roberta Luchsinger, candidata a deputada estadual pelo PT e amiga de Lulinha, foi alvo de busca e apreensão em uma fase anterior da operação. Paralelamente, ela teria prestado serviços de consultoria ao lobista, gerando rendimentos de R$ 1,5 milhão. A defesa de Luchsinger afirmou que as tratativas sobre o mercado de canabidiol “se mantiveram apenas em tratativas iniciais e não chegaram a prosperar”, negando a celebração ou negociação de contratos públicos.

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Indícios e menções nos autos

De acordo com representação da PF, há três menções a Lulinha nos autos: o depoimento de um ex-sócio do lobista, que relatou que Fábio Luiz seria “sócio” do lobista em um projeto de remos à base de cannabis e teria recebido R$ 25 milhões para um negócio de “kits de dengue”, além de uma “mesada” de R$ 300 mil mensais. Outro indício apontado pela PF é a compra conjunta de passagens aéreas por Lulinha e Roberta Luchsinger, identificadas sob o mesmo localizador.

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Um terceiro ponto levantado pela PF são possíveis referências a Lulinha em conversas entre Luchsinger e o lobista. Em uma delas, o lobista solicita a um funcionário o pagamento de R$ 300 mil para “o filho do rapaz”, o que os investigadores sugerem ser uma referência a Fábio Luiz.

Fonte: G1

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