Decisão de Mendonça no STF afasta aliados de Toffoli da investigação do Banco Master

Decisão de Mendonça no STF afasta aliados de Toffoli da investigação do Banco Master

Uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), redistribuiu a relatoria do caso envolvendo o Banco Master e fortaleceu a autonomia técnica da Polícia Federal (PF) na condução das investigações. A medida resultou no afastamento de dois profissionais considerados próximos ao ex-relator, ministro Dias Toffoli, da apuração. O perito Lorenzo Victor Schrepel […]

Resumo

Uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), redistribuiu a relatoria do caso envolvendo o Banco Master e fortaleceu a autonomia técnica da Polícia Federal (PF) na condução das investigações. A medida resultou no afastamento de dois profissionais considerados próximos ao ex-relator, ministro Dias Toffoli, da apuração.

O perito Lorenzo Victor Schrepel Delmutti e o delegado Rafael Dantas, ambos indicados por Toffoli para atuarem em etapas específicas do inquérito, foram retirados do caso. Delmutti era o responsável pela análise do conteúdo de um celular apreendido, enquanto Dantas atuava nos bastidores, fornecendo subsídios para o trabalho de Toffoli.

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Mudanças na Perícia e Acesso aos Dados

Com a renúncia de Dias Toffoli à relatoria, Rafael Dantas já havia sido automaticamente excluído. No entanto, a saída de Lorenzo Delmutti ocorreu após Mendonça autorizar a PF a distribuir os 100 dispositivos eletrônicos apreendidos nas fases da Operação Compliance Zero para peritos selecionados pela própria corporação.

Imediatamente após a publicação do despacho de Mendonça, as senhas de acesso aos materiais da investigação foram canceladas. Novas credenciais foram distribuídas exclusivamente aos técnicos designados pela direção da PF, garantindo que a perícia seguisse os trâmites ordinários da instituição.

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Controvérsias na Condução da Investigação

Uma das decisões mais polêmicas de Toffoli à frente do caso foi a determinação de que todo o material apreendido fosse lacrado e armazenado no STF, para posterior envio à Procuradoria-Geral da República (PGR). Na ocasião, o então relator escolheu a dedo quatro peritos da PF para examinar os dados, incluindo Delmutti.

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A PF informou ao STF que a perícia em cerca de 100 dispositivos eletrônicos demandaria, por parte de um único técnico em dedicação exclusiva, aproximadamente 20 semanas ininterruptas de trabalho.

Mendonça, em contrapartida, liberou a extração e análise dos dados conforme o “fluxo ordinário de trabalho” da PF, permitindo a distribuição das demandas entre peritos habilitados, com base em critérios técnicos e administrativos.

Delegado Dantas e Casos Polêmicos

Rafael Dantas já havia sido designado por Dias Toffoli para investigar o vazamento de perguntas do depoimento de um executivo ligado ao Banco Master. A apuração foi solicitada pela defesa do executivo após a divulgação do teor dos questionamentos elaborados pelo gabinete do ministro.

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O delegado também foi o responsável por conduzir investigações em outro caso de repercussão: as apurações sobre a atuação do ex-juiz federal Sergio Moro à frente da 13ª Vara Federal de Curitiba. A investigação envolvia acusações de um ex-deputado estadual contra Moro, relacionadas a suposta coação para gravações ilegais em 2004.

Impacto na Direção-Geral da PF

A decisão de Mendonça, ao reforçar a área técnica, também impactou a autonomia do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O despacho determinou que agentes e delegados não compartilhassem detalhes sigilosos do inquérito com “superiores hierárquicos e outras autoridades públicas”.

O diretor-geral da PF havia sido criticado por ministros do STF após entregar a Edson Fachin, presidente do tribunal, um relatório detalhado sobre possíveis conexões entre o executivo do Banco Master e Dias Toffoli. O documento apontava indícios que poderiam levar à suspeição do ministro, como o pagamento de vultosa quantia pelo banco de Vorcaro por uma participação em um resort do qual Toffoli admitiu ser sócio.

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O relatório motivou a renúncia de Toffoli à relatoria do caso Master, após pressão de outros ministros. Mendonça, apesar de ter sido um dos críticos à postura do diretor-geral da PF em entregar o relatório, agora busca dar mais autonomia técnica à corporação.

Tensões entre STF e PF

A relação entre Dias Toffoli e a PF na condução das investigações do Banco Master foi marcada por tensões. O ministro chegou a acusar a corporação de “inércia” e “falta de empenho”, críticas rebatidas pelos investigadores que alegavam a necessidade de informações precisas sobre os alvos antes da deflagração de operações.

Toffoli também determinou que depoimentos de figuras chave, como o ex-presidente do BRB e um diretor do Banco Central, fossem realizados no próprio STF. Em uma medida incomum, o ministro chegou a convocar uma acareação antes mesmo da coleta dos depoimentos iniciais, o que foi posteriormente ajustado por seu gabinete para que os depoimentos ocorressem antes da confrontação.

Fonte: g1.globo.com

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