MP pede investigação sobre show de Margareth Menezes no Carnaval de Salvador por possível conflito de interesses

MP pede investigação sobre show de Margareth Menezes no Carnaval de Salvador por possível conflito de interesses

O Tribunal de Contas da União (TCU) recebeu uma representação do Ministério Público (MP) para investigar a ministra da Cultura, Margareth Menezes, em relação à sua apresentação musical no bloco “Os Mascarados”, em Salvador, durante o Carnaval de 2026. O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado protocolou o pedido, que levanta a possibilidade de conflito de interesses. […]

Resumo

O Tribunal de Contas da União (TCU) recebeu uma representação do Ministério Público (MP) para investigar a ministra da Cultura, Margareth Menezes, em relação à sua apresentação musical no bloco “Os Mascarados”, em Salvador, durante o Carnaval de 2026.

O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado protocolou o pedido, que levanta a possibilidade de conflito de interesses. A ministra foi contratada pela empresa Pau Viola Cultura e Entretenimento por R$ 290 mil. Esta empresa possui projetos aprovados pela Lei Rouanet sob a gestão do Ministério da Cultura.

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A representação do MP cita a Lei nº 12.813/2013, que dispõe sobre situações em que um agente público mantém relações de negócio com entidades que podem ter interesse em decisões de sua alçada. A lei busca evitar que o cargo público seja utilizado para benefício pessoal ou de terceiros.

Contexto da Contratação e Lei Rouanet

Segundo a assessoria da ministra, o valor de R$ 290 mil contempla músicos, produção, transporte e figurino. A Pau Viola Cultura e Entretenimento teve oito projetos aprovados para captação de recursos pela Lei Rouanet na atual gestão do Ministério da Cultura. Um desses projetos, inclusive, captou R$ 1 milhão em incentivos fiscais para a realização de um festival cultural.

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A Comissão de Ética Pública já havia autorizado a ministra a realizar apresentações remuneradas, desde que não envolvessem recursos federais. No entanto, o MP argumenta que a contratação por uma empresa que se beneficia de leis de incentivo geridas pelo ministério que ela lidera pode configurar irregularidade.

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Posicionamento da Ministra e Antecedentes

A equipe da ministra Margareth Menezes manifestou que eventuais diligências do MP de Contas são recebidas com normalidade, mas ressaltou que o órgão pode solicitar informações diretamente, o que, segundo eles, não ocorreu neste caso. A petição teria se baseado apenas em matéria jornalística, sem a apresentação de documentos novos.

A defesa da ministra também aponta que fatos similares já foram analisados em 2025 e arquivados em diversas instâncias, incluindo a Comissão de Ética da Presidência da República, a Controladoria-Geral da União (CGU), a Advocacia-Geral da União (AGU) e processos judiciais no TRF-1 e na 8ª Vara Federal do Rio de Janeiro.

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Ausência de Verba Federal e Ingereência Decisória

Em relação à apresentação no bloco “Os Mascarados”, a assessoria da ministra afirma que a participação artística cumpriu rigorosamente os requisitos legais. Os recursos para o show foram custeados pelo Governo da Bahia, empresas privadas e pela Prefeitura de Salvador, não havendo envolvimento de verbas federais.

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A argumentação é de que, por ser financiada por esferas estaduais e municipais, não há relação direta entre a ministra e a decisão sobre o uso desses recursos, afastando a presunção de conflito de interesses. A contratação teria sido autônoma pelo Governo do Estado da Bahia, sobre o qual o Ministério da Cultura não tem ingerência quanto à aplicação de verbas próprias.

A participação de outros agentes públicos, como a presidente da Funarte, Maria Marighella, de forma não remunerada, reforça, segundo a nota, a natureza cultural e tradicional do evento.

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Fundamento Constitucional e Liberdade Artística

A defesa da ministra também invoca a Constituição Federal, que assegura a liberdade de expressão artística e o pleno exercício dos direitos culturais. Argumenta-se que uma vedação genérica ao exercício profissional artístico por um titular de cargo público, sem demonstração de dano ao interesse público ou interferência indevida na gestão, seria uma restrição desproporcional.

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Todos os contratos da artista, segundo a nota, contêm cláusula expressa proibindo o uso de verbas federais em suas apresentações.

Outra Representação e Reação Política

Além da representação do MP de Contas, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também questionou o recebimento do cachê pela ministra, alegando que teria sido pago com recursos públicos. Ferreira declarou que apresentará representações ao MPF e ao TCU para que os fatos sejam investigados.

O parlamentar criticou o fato de a ministra “faturar em um ambiente que deveria exigir distância, imparcialidade e absoluto zelo com a coisa pública”, apesar de reconhecer que a ministra “é artista”.

Fonte: CNN Brasil

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