O deputado federal André Fernandes (PL) utilizou uma pintura de palhaço para demonstrar sua insatisfação com o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Fernandes classificou o tributo como “um retrato perfeito da crise moral, política e institucional que tomou conta do País”.
O parlamentar, conhecido por seu alinhamento com o ex-presidente Jair Bolsonaro, argumentou que o desfile, ocorrido no segundo dia de Carnaval, configurou uma hora de “propaganda eleitoral gratuita” em rede nacional, supostamente custeada com recursos públicos e disfarçada de evento cultural.
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Fernandes defende a tese de que o enredo da escola de samba, ao focar na trajetória de Lula, omitiu aspectos controversos como os escândalos do Petrolão e do Mensalão, além de supostas fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) envolvendo membros da família do presidente.
“A verdadeira história do presidente, se contada, não seria a do ‘operário do Brasil’, como diz o samba enredo da escola, mas sim de ‘Lula, o vagabundo'”, declarou o deputado, removendo a pintura do rosto em seu pronunciamento.
Acusações de Desequilíbrio Eleitoral
André Fernandes também acusou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de promover um desequilíbrio entre os partidos políticos. Segundo o deputado, a autorização do desfile em ano eleitoral, que ele considera uma clara divulgação política, demonstra essa disparidade.
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“Em 2022, o presidente Jair Bolsonaro foi proibido de falar que o Lula era aliado de ditaduras, que apoiava o aborto e tinha se tornado o predileto entre as facções criminosas. Enquanto para um lado é permitida a propaganda eleitoral antecipada, pro outro, até a exposição da verdade é proibida”, argumentou Fernandes.
A declaração remete a episódios das eleições presidenciais de 2022, quando a campanha de Bolsonaro e seus aliados divulgaram acusações contra Lula, como o suposto apoio a governos autoritários e ao aborto. O TSE, na ocasião, analisou o conteúdo e determinou a suspensão de materiais considerados falsos ou sem comprovação suficiente.
Críticas ao Uso de Recursos Públicos e à Segurança
O deputado bolsonarista alertou seus seguidores sobre o que ele descreve como uma campanha contra o cidadão trabalhador, que estaria, indiretamente, financiando a produção carnavalesca por meio do pagamento de impostos.
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Fernandes criticou o que chamou de “esbanjamento” de recursos públicos por parte de Lula e da primeira-dama, Janja, ao lado da “elite artística financiada pela Lei Rouanet”, enquanto a população brasileira enfrentaria a falta de serviços básicos.
“Pessoas vivem sob o domínio de facções criminosas e são expulsas de suas próprias casas. Trabalhadores são assassinados diariamente. Eles atacam os seus valores, debochando da sua fé e do seu bem mais sagrado que é a sua família”, pontuou.
Defesa de Bolsonaro e Questionamento ao Judiciário
Em sua manifestação, André Fernandes defendeu Jair Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente sofreu “uma das maiores injustiças na história da República brasileira”. Ele contrapôs a situação de Bolsonaro com a de Lula, a quem atribuiu prisões por corrupção.
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Ao finalizar a remoção da pintura, Fernandes declarou que os cidadãos são tratados como “palhaços” pelo sistema. “Se eles já agem como se fossem donos de tudo, com tanta gente denunciando, imagina o que farão se ficarmos de braços cruzados”, disse.
Acionamento do TCU para Apuração de Repasses
Como desdobramento de suas críticas, André Fernandes informou ter acionado o Tribunal de Contas da União (TCU) para investigar os repasses financeiros do governo federal à Acadêmicos de Niterói. O deputado afirmou ter utilizado o mesmo “instrumento jurídico” que levou à inelegibilidade de Jair Bolsonaro em 2023, adaptando-o para o contexto atual.
Segundo Fernandes, a ação visa “ver a quem o TSE servirá”, trocando as referências de “7 de Setembro” para “Carnaval” e de “Bolsonaro” para “Lula” na peça jurídica. A iniciativa busca, segundo o deputado, apurar se houve irregularidades nos recursos públicos destinados ao desfile carnavalesco.
Fonte: G1