O Carnaval de Belo Horizonte se reinventa a cada ano, e um dos exemplos mais vibrantes disso é o bloco Unidos da Estrela da Morte. Localizado no bairro Floresta, o cortejo celebra a cultura nerd e geek, reunindo personagens icônicos do cinema, animações e ficção científica em um desfile que já se consolida como um dos mais emblemáticos da capital mineira.
Universo Nerd Ganha As Ruas de BH
Criado pelo Conselho Jedi Minas, o bloco nasceu com um pequeno grupo e hoje atrai milhares de foliões. A proposta é clara: mostrar que o universo nerd tem seu espaço na folia e que a diversidade é um dos pilares da festa. Personagens como Darth Vader, stormtroopers e heroínas de desenhos animados ganham vida nas ruas, misturando a paixão pela cultura pop com a energia contagiante do Carnaval.
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Investimento e Preparo Físico
A dedicação dos participantes se reflete nos elaborados figurinos. Renato Parise Perdizotti, jornalista de 44 anos, investiu mais de R$ 5 mil em sua armadura inspirada em Darth Vader. O preparo vai além do financeiro; ele dedica seis semanas à musculação e atividades aeróbicas para suportar o calor e o peso da fantasia.
“Perco de três a quatro quilos por desidratação com a roupa”, revela Renato. Ele ressalta a importância da hidratação intensa, utilizando água, água de coco e isotônicos para se manter bem durante o cortejo, especialmente sob temperaturas que se aproximam dos 30°C.
Inclusão e Diversidade no Bloco
Para muitos, o Unidos da Estrela da Morte representa um espaço de inclusão e pertencimento. O bloco atrai pessoas que antes se afastavam do Carnaval por não gostarem de aglomerações tradicionais, criando uma verdadeira comunidade.
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Um exemplo dessa diversidade é o “Rainbow Trooper”, uma versão colorida do personagem que simboliza o acolhimento à comunidade LGBTQIAPN+. Laércio Hernando Nemorim Gonçales, inspetor escolar de 41 anos, veste a fantasia, que custou mais de R$ 2 mil. “Aqui a gente ama todo mundo do jeito que vier”, afirma, destacando que a roupa, já em seu terceiro ano de uso, representa um valor significativo.
Demanda Reprimida e Identificação
Israel Rodrigo Felipe Brasiel, professor de História de 52 anos e cofundador do bloco, enxerga no crescimento do desfile a prova de uma demanda reprimida por um Carnaval mais temático e inclusivo. “A gente pensou em um tema que agradasse o pessoal nerd, geek e de ficção científica. Hoje vemos essa identificação, pessoas da mesma tribo juntas no Carnaval”, pontua.
A alegria de participar, segundo ele, supera o calor intenso enfrentado pelos foliões. A proposta do bloco é clara: oferecer um espaço onde a paixão por universos fantásticos se encontra com a celebração carnavalesca, provando que a diversidade de gostos e identidades é bem-vinda.
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Figurinos Artesanais e Mensagens Positivas
O investimento em fantasias não se limita a peças de alto custo. A programadora Priscila Pereira Lima, 34 anos, optou por uma fantasia artesanal da personagem Rose Quartz, do desenho “Steven Universe”, com um investimento de R$ 1 mil. Para ela, o Carnaval é uma oportunidade de celebrar o amor e a conexão, valores presentes na animação.
“O Carnaval para mim é isso: estar com amigos, se divertir e encontrar pessoas que pensam parecido”, declara. Priscila acredita que o bloco ajuda a quebrar estereótipos, mostrando que o público nerd também participa ativamente da vida social e cultural da cidade.
Fonte: O Tempo
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