Embaixada dos EUA atuou para frear urgência em projeto de streaming no Brasil

Embaixada dos EUA atuou para frear urgência em projeto de streaming no Brasil

Representantes da Embaixada dos Estados Unidos se movimentaram nos bastidores do Congresso Nacional para tentar impedir a votação em regime de urgência do projeto que visa regulamentar os serviços de streaming no Brasil. A ação diplomática, confirmada por congressistas, buscou ampliar o debate sobre a proposta, que aborda temas sensíveis como novas regras de tributação […]

Resumo

Representantes da Embaixada dos Estados Unidos se movimentaram nos bastidores do Congresso Nacional para tentar impedir a votação em regime de urgência do projeto que visa regulamentar os serviços de streaming no Brasil. A ação diplomática, confirmada por congressistas, buscou ampliar o debate sobre a proposta, que aborda temas sensíveis como novas regras de tributação e a exigência de cotas para conteúdo audiovisual nacional.

A informação, inicialmente divulgada pelo portal Jota, aponta que diplomatas americanos procuraram deputados e senadores diretamente envolvidos na tramitação do projeto. O objetivo era defender que o texto passasse por uma discussão mais aprofundada nas comissões temáticas antes de avançar para votação em plenário.

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Procurada, a Embaixada dos Estados Unidos limitou-se a afirmar que não comenta conversas diplomáticas privadas, citando questões de privacidade. No entanto, a atuação dos representantes americanos foi confirmada pelo relator do projeto na Câmara, deputado Aliel Machado (PV-PR).

Machado relatou que os diplomatas se posicionaram de maneira ponderada contra a adoção do rito acelerado. “Eles colocaram, de forma muito ponderada, que eram contra o regime de urgência porque queriam que o projeto tivesse uma ampla discussão nas comissões”, afirmou o parlamentar.

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Contexto da Regulamentação

O projeto em questão, já aprovado pela Câmara e agora em debate no Senado, propõe a regulamentação de serviços de streaming, estabelecendo diretrizes para a cobrança da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine) e definindo regras para cotas de conteúdo brasileiro.

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A proposta original prevê alíquotas de até 4% sobre a receita bruta anual para serviços de vídeo sob demanda e televisão por aplicativo. Plataformas de compartilhamento de conteúdo audiovisual poderiam ser submetidas a uma taxa de até 0,8%. Após modificações na Câmara, o texto retornou ao Senado, reabrindo negociações.

Intensificação das Negociações e Preocupações Econômicas

A atuação da embaixada se intensificou em dezembro, período em que representantes do governo americano participaram de reuniões no Senado. O conselheiro para Assuntos Econômicos da Embaixada, Matthew Lowe, esteve presente em discussões que envolveram a apresentação do relatório da Comissão Temporária Externa Brasil–EUA (CTEUA).

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O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da CTEUA, confirmou os encontros e explicou que os americanos buscavam informações sobre o andamento do projeto e possíveis emendas. “Eles queriam saber em que ponto estava o projeto, como estava a tramitação, se ia ter emenda ou não”, disse Trad.

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Segundo Trad, a principal preocupação manifestada pelos representantes dos EUA estava relacionada ao impacto econômico das medidas propostas. “Não teve nenhuma interferência direta. A preocupação deles era com tarifa. Não mexeu em nada no que a gente tinha que fazer aqui. A gente continuou fazendo do mesmo jeito”, ressaltou o senador, que classificou os encontros como parte do diálogo institucional mantido com a embaixada.

Diálogo Aberto com Diversos Atores

O senador Eduardo Gomes (PL-TO), relator do projeto no Senado, também confirmou ter recebido representantes americanos em seu gabinete. Segundo ele, o encarregado de negócios da embaixada participou de discussões sobre a dinâmica do setor e questões tarifárias, dada a presença de empresas americanas no mercado.

Gomes destacou que o Congresso tem mantido um diálogo aberto com diversos atores internacionais, não se limitando apenas a este projeto. A discussão sobre regulamentação da inteligência artificial, por exemplo, também envolveu conversas com embaixadas e representantes de outras regiões, como a União Europeia.

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“Abrimos espaço para todos os concorrentes. Falamos também com a União Europeia, com outras embaixadas. É um debate amplo, que envolve inclusive inteligência artificial”, afirmou Gomes.

Detalhamento das Propostas

A versão mais recente do projeto estabelece uma contribuição que varia de 0,1% a 4% do faturamento anual das empresas, com isenções para plataformas de menor porte. Um ponto relevante é a possibilidade de dedução de até 60% do valor devido caso as empresas invistam diretamente em produções brasileiras ou na capacitação de mão de obra local.

As cotas de conteúdo nacional também foram redefinidas, tornando-se progressivas. A expectativa é que, no sétimo ano de vigência da norma, essas cotas possam alcançar até 10% do catálogo das plataformas de streaming.

Fonte: O Globo

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