O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), figura proeminente na direita mineira e com forte desempenho nas pesquisas para o governo de Minas Gerais, manifestou apoio público ao programa Gás do Povo, iniciativa do governo federal liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Defesa baseada em privilégios de classe
Em pronunciamento nas redes sociais e no plenário do Senado, Cleitinho questionou a oposição ao programa, comparando a necessidade de auxílio para famílias com a existência de benefícios concedidos a políticos. “Se político tem auxílio-moradia, auxílio-alimentação, auxílio-paletó e auxílio-saúde, por que o povo não pode ter o auxílio-gás?”, indagou o parlamentar.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
O senador mineiro enfatizou que, enquanto os Três Poderes desfrutam de regalias como verbas indenizatórias para alimentação, que permitem despesas com refeições em restaurantes, negar o auxílio-gás ao cidadão comum soa contraditório. “Eu posso ir a um restaurante chique ali, jantar com a parceirada, com os amigos, e o povo me indenizar. E por que eu não posso votar a favor do povo com o auxílio gás?”, argumentou.
Críticas a oposição bolsonarista
A declaração de Cleitinho surge em contraponto a parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que votaram contra o programa. Um dos críticos foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), conterrâneo de Cleitinho, que argumentou que o “Gás do Povo” de Lula complicaria um programa já existente e questionou a eficácia das políticas de redução da pobreza do atual governo.
“Óbvio que votei contra o projeto ‘Gás do Povo’, do Lula, porque sou a favor do ‘Gás dos Brasileiros’, um programa que já existe e que o Lula quer complicar (…). Se a pobreza caiu como o Lula diz, por que 50 milhões de brasileiros ainda dependem de gás ‘gratuito’ para cozinhar?”, rebateu Ferreira em suas redes sociais.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Foco no benefício social, não na origem
Rebatendo essas críticas, Cleitinho Azevedo reiterou sua posição de priorizar o bem-estar da população. “Eu não posso, na hora que chega um benefício para o povo, poder ajudar o povo, porque é [um projeto] do governo Lula? Que se exploda! Poderia ser qualquer governo, o Bolsonaro, o Ciro [Gomes], a Simone [Tebet]. Eu não quero saber se foi o Lula, até porque não vai ser o Lula que paga. Quem vai pagar é o povo (…).”
O senador mineiro, que representa um estado com forte demanda por programas sociais, especialmente em regiões como o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha, onde o acesso a combustíveis pode ser mais oneroso, destacou a incoerência de negar ajuda popular devido à autoria governamental. “Aqui a gente tem até plano de saúde vitalício. Que moral eu tenho para falar alguma coisa [contra] quando vem um benefício para o povo? Jamais vou votar contra o povo”, concluiu.
A posição de Cleitinho pode influenciar o eleitorado mineiro, especialmente aqueles que, embora se identifiquem com a direita, priorizam políticas de impacto social direto, como o acesso à energia para o preparo de alimentos, uma necessidade básica em lares de todo o estado, de Belo Horizonte ao Triângulo Mineiro.
CONTINUA APÓS O ANÚNCIO
Fonte: X (redes sociais) e plenário do Senado