O mundo se encontra em um novo e perigoso capítulo da era nuclear após o vencimento do tratado New START, que estabelecia limites para os arsenais atômicos de Estados Unidos e Rússia. Sem este acordo, considerado o último freio institucional contra uma escalada armamentista, as duas maiores potências nucleares do planeta agora operam sem restrições na produção e posicionamento de ogivas, gerando apreensão entre especialistas em segurança internacional.
O Fim de um Pilar de Controle Nuclear
Assinado em 2010, o New START foi fundamental para limitar o número de ogivas nucleares estratégicas em 1.550 para cada nação, além de impor tetos para lançadores e mecanismos de verificação. Sua expiração, sem um acordo sucessor que inclua a China, potência nuclear em rápida ascensão, marca o fim da lógica de não proliferação que vigorou desde o término da Guerra Fria. Analistas apontam que essa nova realidade intensificará uma corrida armamentista global, liderada por EUA, Rússia e China, em um cenário de desconfiança mútua.
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China: O Catalisador da Mudança Estratégica
A ascensão da China como potência nuclear é apontada como o principal fator que levou os Estados Unidos a permitirem o fim do New START. Washington argumenta que qualquer novo acordo de controle de armas deve incluir Pequim, que, por sua vez, alega que sua inclusão seria desproporcional, dado o avanço histórico de EUA e Rússia. Esse impasse sinaliza uma “Terceira Era Nuclear”, caracterizada pela ausência de confiança entre os líderes mundiais e um aumento irrestrito de arsenais.
Expansão Chinesa e a Nova Geopolítica Nuclear
Relatórios recentes indicam que a China está expandindo seu arsenal nuclear a um ritmo acelerado, produzindo cerca de 100 novas ogivas por ano desde 2023. Estimativas sugerem que Pequim poderá atingir 1.500 ogivas até 2035 e equiparar-se a EUA e Rússia em mísseis balísticos intercontinentais até 2030. Essa expansão, aliada à modernização militar chinesa, tem levado os EUA a redefinirem sua estratégia de defesa com foco na contenção de Pequim. Em resposta, China e Rússia prometeram aprofundar laços para formar um contraponto ao Ocidente.
O Mundo em Alerta: Proliferação e Novas Alianças
A nova dinâmica de corrida armamentista não se limita ao eixo EUA-Rússia-China. Países que já possuem armas nucleares podem buscar modernizar seus arsenais, enquanto outras nações podem considerar o desenvolvimento de capacidades nucleares como medida de precaução em face da crescente insegurança global. Sinais dessa tendência incluem discussões sobre políticas nucleares na União Europeia e a formação de alianças estratégicas, como a entre Arábia Saudita e Paquistão, visando acesso indireto a armas nucleares. O avanço da Inteligência Artificial na modernização militar também adiciona uma camada de complexidade e perigo, com o receio de que sistemas de armas possam vir a ser controlados exclusivamente por IA, dada a velocidade exigida por novas tecnologias como mísseis hipersônicos.
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Fonte: G1