O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, em 2024, da cerimônia de inauguração da fábrica da Biomm, localizada em Minas Gerais. A empresa é uma produtora de insulina e tem entre seus principais acionistas Leonardo Porcaro, fundador do Banco Master. O evento, realizado no estado, também reuniu outros investidores da companhia, como Walfrido dos Mares Guia, conhecido amigo do presidente, e Lucas Kallas, empresário que tem enfrentado investigações em diversas operações da Polícia Federal.
Conexões e Investigações no STF
Um ponto de atenção no evento é que tanto Leonardo Porcaro quanto Lucas Kallas compartilham o mesmo relator de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF): o ministro Dias Toffoli. Toffoli é o responsável pelos casos envolvendo o Banco Master, decorrentes da operação Compliance Zero, e também pelo inquérito da operação Rejeito, na qual Kallas é mencionado.
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Encontro no Planalto e Apoio a Porcaro
Em dezembro de 2024, Leonardo Porcaro foi recebido no Palácio do Planalto pelo presidente Lula. Na ocasião, o fundador do Banco Master buscava resolver questões de liquidez da instituição financeira. O encontro, que ocorreu fora da agenda oficial, contou com a participação de figuras como Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda) e Rui Costa (ministro da Casa Civil). Porcaro teria relatado a Lula o desejo do Banco Master de desafiar o monopólio do setor bancário brasileiro. Ele também mencionou o interesse do BTG, de André Esteves, em adquirir o Master por um valor simbólico, expressando pressão e incerteza sobre o futuro do banco. Lula teria encorajado Porcaro a seguir com o Banco Master e criticado Roberto Campos Neto, então presidente do Banco Central, e André Esteves.
Lucas Kallas: Elogios Presidenciais e Histórico de Investigações
Lucas Kallas, outro acionista presente na inauguração, já foi publicamente elogiado por Lula em fevereiro de 2025. Naquela ocasião, Kallas assinou um contrato para a concessão de uma área no Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, através do Grupo Cedro. Durante o evento, Lula destacou a visão empreendedora de Kallas, afirmando que ele “tem uma visão séria e acredita e torce pelo crescimento do Brasil”.
No entanto, o histórico de Kallas inclui investigações. Em 2008, ele foi preso na operação João de Barro, suspeito de desvio de recursos públicos do PAC durante o segundo mandato de Lula. Mais recentemente, em 2025, Kallas foi citado na operação Parcous, relacionada a irregularidades na Empresa de Mineração Pau Branco (Empabra), e também na operação Rejeito, que apura crimes ambientais e corrupção. Kallas tem defendido sua inocência nos processos em andamento.
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A presença desses empresários em um evento de inauguração de uma fábrica de insulina em Minas Gerais, um estado com forte vocação industrial e agrícola, levanta questões sobre as conexões empresariais e políticas em torno de projetos de grande relevância para a saúde pública e a economia brasileira.
Fonte: Agência Púbica